A semana consolidou um sinal claro: agentes de IA autônomos saíram do laboratório e estão entrando em produção — com tudo que isso implica em segurança e governança. A AWS lançou ou amadureceu ferramentas em três frentes simultâneas: agentes que exploram vulnerabilidades reais com 89% de sucesso, frameworks para governar autonomia sem perder controle, e registros com metadados para rastrear quem faz o quê. Paralelamente, Security Hub ganhou priorização inteligente e exportação nativa, e o Lambda Durable Execution chegou ao Go. O recado é direto: quem não estruturar governança agora vai correr atrás depois.
O que muda na prática
Pentest automatizado vira gate de CI/CD: com o AWS Continuum, vulnerabilidades exploráveis podem ser bloqueadas antes do deploy, mudando a responsabilidade de segurança para dentro do pipeline — não mais só para o time de segurança.
Governar agentes de IA deixa de ser opcional: o framework Trust in Depth e o Agent Registry com metadados personalizados criam a base para auditar escopo, identidade e limites de cada agente em produção — sem isso, compliance vira problema.
Ruído no Security Hub cai com priorização por criticidade do recurso: findings agora podem ser triados pelo valor de negócio do ativo afetado, não apenas pela severidade técnica — times de operações precisam revisar como estão configurando esse critério.
Ações da semana
Mapeie os agentes de IA que já rodam no seu ambiente e defina, para cada um, responsável, classificação de dados acessados e status de revisão — use o Agent Registry para centralizar isso antes que o inventário fuja do controle.
Revise as configurações de priorização do Security Hub e habilite a exportação nativa para S3 em JSON: com dois ajustes no console, você reduz ruído operacional e elimina um pipeline de extração manual que provavelmente está desatualizado.
Um agente autônomo de pentest com taxa de 89% em CVEs reais muda o patamar de automação de segurança ofensiva e exige que equipes revisem sua postura de defesa.
Para quem: Engenheiros de segurança, AppSec e times de DevSecOps que gerenciam vulnerabilidades em produção.
Integrar um gate de pentest real no pipeline de CI/CD bloqueia vulnerabilidades exploráveis antes de chegarem à produção, tornando segurança ofensiva parte do ciclo de entrega.
Para quem: Times de DevSecOps e engenheiros de plataforma que querem elevar a barra de segurança sem desacelerar entregas.
O framework de Confiança em Profundidade da AWS oferece uma arquitetura concreta para governar agentes autônomos em produção, respondendo às quatro perguntas críticas de escopo, identidade, limites e observabilidade.
Para quem: Arquitetos de soluções e engenheiros que estão colocando agentes de IA em ambientes produtivos e precisam de um modelo de governança.
Priorizar alertas pelo valor de negócio do ativo afetado reduz drasticamente o ruído e permite que equipes de segurança foquem onde o impacto real é maior.
Para quem: Analistas de segurança e times de operações que gerenciam grandes volumes de findings no Security Hub.
Desenvolvedores Go agora podem construir workflows serverless resilientes e de longa duração com checkpoints automáticos, sem precisar implementar rastreamento de progresso customizado.
Para quem: Desenvolvedores Go e arquitetos serverless que precisam de workflows multi-etapa confiáveis em produção.
Um modelo open-weight de 501 bilhões de parâmetros focado em codificação agêntica disponível no SageMaker JumpStart amplia significativamente as opções para times que não querem depender de APIs proprietárias.
Para quem: Engenheiros de ML e times de plataforma que avaliam modelos open-weight para automação de código e fluxos agênticos.
Converter instâncias EC2 para Ubuntu Pro via Marketplace garante até 15 anos de cobertura de segurança para pacotes críticos como NGINX, PostgreSQL e Redis sem downtime ou migração.
Para quem: Engenheiros de infraestrutura e times de compliance que gerenciam frotas EC2 com Ubuntu e precisam de suporte de longo prazo.
À medida que o número de agentes de IA cresce, poder catalogar responsável, classificação de dados e status de revisão diretamente no registry é essencial para governança e auditoria.
Para quem: Times de plataforma e arquitetos que gerenciam múltiplos agentes de IA e precisam de rastreabilidade e controle de inventário.
A exportação nativa elimina a necessidade de pipelines de extração manuais, facilitando integração com SIEMs, data lakes e ferramentas de compliance externas.
Para quem: Analistas de segurança e engenheiros de dados que precisam consumir findings do Security Hub fora do console AWS.
A integração entre Anchor Browser e AgentCore Payments permite que agentes completem tarefas que envolvem APIs pagas sem expor credenciais no runtime, abrindo um novo padrão para agentes econômicos.
Para quem: Arquitetos e desenvolvedores que constroem agentes autônomos com acesso a recursos web pagos ou APIs comerciais.
Novo modelo multimodal da NVIDIA chega ao SageMaker JumpStart
A AWS anunciou a disponibilidade do Nemotron 3.5 Super VL, modelo de visão e linguagem (VL) da NVIDIA, no Amazon SageMaker JumpStart. Com essa adição, o portfólio de modelos de fundação disponíveis para clientes AWS se expande com uma opção multimodal robusta, capaz de receber imagens, vídeos e texto como entrada e gerar respostas em texto.
O que é o Nemotron 3.5 Super VL?
O Nemotron 3.5 Super VL faz parte da família de modelos Nemotron 3.5 da NVIDIA e foi projetado para atender a casos de uso como:
Inteligência de documentos
Compreensão de interfaces gráficas (GUI)
Resposta a perguntas sobre vídeos
Aplicações agênticas multimodais
Do ponto de vista técnico, o modelo combina um backbone de linguagem híbrido com arquitetura de Mistura de Especialistas (MoE — Mixture of Experts) de 120 bilhões de parâmetros, com 12 bilhões de parâmetros ativos, além de um codificador de visão. Ele suporta janelas de contexto de até 1 milhão de tokens.
Destaques técnicos do modelo
O Nemotron 3.5 Super VL traz uma série de capacidades relevantes para aplicações empresariais:
Cabeçalho de Predição Multi-Token (MTP — Multi-Token Prediction) integrado, que viabiliza decodificação especulativa para acelerar a geração de texto
Raciocínio configurável por requisição
Suporte a dez idiomas, incluindo inglês, francês, espanhol, alemão, japonês, hindi, coreano e chinês
Saída estruturada em JSON, chamada de ferramentas (tool calling) e raciocínio configurável para fluxos de trabalho de agentes corporativos
O treinamento do modelo incluiu ajuste fino supervisionado multimodal (SFT) com dados de imagem, vídeo, documentos, gráficos e interfaces gráficas, seguido de aprendizado por reforço com o algoritmo GRPO.
Variantes disponíveis no SageMaker JumpStart
O Amazon SageMaker JumpStart disponibiliza duas variantes do modelo:
NVFP4: otimizada para inferência em instâncias G7 com GPUs NVIDIA RTX PRO 4500 Blackwell Server Edition
BF16 (pesos de referência): disponível na instância ml.p5en.48xlarge, voltada para customização — incluindo ajuste fino supervisionado (SFT), aprendizado por reforço (RL), destilação e adaptação de domínio
Como começar
Para implantar o Nemotron 3.5 Super VL, basta acessar o catálogo de modelos do SageMaker JumpStart diretamente pelo console do SageMaker ou utilizar o SDK Python do SageMaker para fazer o deploy na sua conta AWS. A AWS destaca que o processo pode ser concluído com poucos cliques, sem necessidade de configurações complexas.
A AWS anunciou que o Lambda Durable Functions já está disponível nas regiões AWS GovCloud (US-West) e AWS GovCloud (US-East). Isso significa que clientes governamentais e setores altamente regulados agora podem aproveitar esse recurso dentro de ambientes que atendem a requisitos rigorosos de conformidade e segurança.
O que é o Lambda Durable Functions?
O Lambda Durable Functions é uma funcionalidade que expande o modelo de programação do AWS Lambda, permitindo que desenvolvedores construam aplicações confiáveis com múltiplas etapas — incluindo fluxos de trabalho de Inteligência Artificial (IA). Na prática, o recurso introduz novos primitivos no manipulador de eventos (event handler), como step e wait, que tornam possível:
Salvar o progresso de uma execução em pontos de verificação (checkpoints)
Recuperar automaticamente execuções após falhas
Pausar execuções sem gerar cobranças de computação para funções sob demanda
Em resumo, o recurso resolve um desafio clássico do serverless: como manter estado e confiabilidade em fluxos de trabalho longos e complexos, sem abrir mão da simplicidade do Lambda.
Casos de uso no setor público e regulado
Com a chegada às regiões GovCloud, a AWS destaca que órgãos governamentais e empresas de setores regulados podem usar o recurso para orquestrar processos como:
Fluxos de pedidos (order workflows)
Processos de integração de novos usuários (user onboarding)
Tarefas assistidas por IA
Tudo isso dentro dos padrões de conformidade exigidos por essas organizações — um ponto crítico para quem opera em ambientes GovCloud.
Linguagens e ferramentas suportadas
O Lambda Durable Functions pode ser ativado para novas funções Lambda baseadas nas seguintes linguagens:
Python (versões 3.13 e 3.14)
Node.js (versões 22 e 24)
Go (versão 1.24 ou superior)
.NET (versão 2.2)
Java (17 ou superior)
A ativação pode ser feita pela API do AWS Lambda, pelo Console de Gerenciamento da AWS ou pelo SDK da AWS. Para quem trabalha com infraestrutura como código (IaC), o suporte também está disponível via AWS CloudFormation, AWS Serverless Application Model (AWS SAM) e AWS Cloud Development Kit (AWS CDK).
A Reflection AI anunciou o Beam, um modelo de linguagem open-weight projetado especificamente para tarefas de codificação agêntica e fluxos de trabalho de longa duração — como manutenção de código, uso de ferramentas, interpretação de resultados e execução de pipelines de múltiplas etapas.
A disponibilização dos pesos do modelo em formato aberto é uma escolha deliberada da empresa: ela dá a desenvolvedores e pesquisadores controle total sobre o ambiente de execução, a infraestrutura de implantação e o processo de customização. A missão declarada da Reflection é tornar a inteligência aberta e acessível a todos, por meio de pesos de modelos públicos, pesquisa publicada e software de código aberto. O stack completo de IA da empresa abrange modelos, software de base, infraestrutura de produção e aplicações.
Arquitetura do modelo
O Beam é um modelo do tipo sparse mixture-of-experts (mistura esparsa de especialistas), desenhado para resolver problemas em código, modificar arquivos, acionar ferramentas e agir sobre resultados intermediários. Seus números principais são:
501 bilhões de parâmetros totais — determinam o tamanho do checkpoint, a memória necessária para os pesos, o particionamento e o paralelismo.
23 bilhões de parâmetros ativos — influenciam o custo computacional por token gerado.
Comprimento de contexto efetivo de 1 milhão de tokens, conforme reportado pela Reflection.
Os pesos são distribuídos pelo Hugging Face sob a licença Apache 2.0. O Beam 1.0 está disponível em três variantes de checkpoint: BF16, FP8 e NVFP4. Cada formato tem um footprint de memória diferente e compatibilidade distinta com hardware, o que permite adaptar a implantação ao ambiente disponível.
No lançamento, o Beam está disponível no Amazon SageMaker JumpStart nas regiões US East (N. Virginia) e US East (Ohio).
Caminhos de implantação na AWS
A AWS oferece três caminhos principais para colocar o Beam em produção. A escolha depende do nível de controle necessário sobre a infraestrutura e o runtime de inferência.
SageMaker JumpStart (endpoint em tempo real): caminho mais gerenciado, sem necessidade de operar Kubernetes. Ideal para quem quer sair do catálogo de modelos e chegar a um endpoint HTTPS gerenciado com o menor atrito possível.
JumpStart no SageMaker HyperPod Inference: mantém o container e a configuração de modelo gerenciados pela AWS, mas sobre um cluster HyperPod orquestrado pelo Amazon Elastic Kubernetes Service (EKS). Oferece controle nativo sobre capacidade, escalonamento e observabilidade do cluster.
SGLang ou vLLM no HyperPod Inference: para quem precisa controlar diretamente a imagem de serving, os argumentos de runtime, a quantização ou a execução distribuída.
Planejamento de capacidade de GPU
Com 501 bilhões de parâmetros totais, o Beam exige uma implantação multi-GPU — e, dependendo da precisão escolhida, multi-nó. Alguns pontos importantes de planejamento:
A variante BF16 tem o maior requisito de memória para os pesos; planeje uma configuração multi-nó com memória agregada de GPU suficiente para os pesos e o overhead de runtime.
Para FP8, use instâncias ml.p5.48xlarge (NVIDIA H100) ou ml.p5e.48xlarge e ml.p5en.48xlarge (H200).
Para NVFP4, use ml.p6-b200.48xlarge (NVIDIA B200).
Antes de iniciar, verifique a cota de serviço e a disponibilidade de capacidade para o tipo de instância escolhido. Quando a capacidade sob demanda não estiver disponível, é possível usar um plano de treinamento do SageMaker como reserva de curto prazo para trabalhos agendados.
Caminho 1: endpoint em tempo real com SageMaker JumpStart
Este é o caminho recomendado para quem quer o menor tempo entre o catálogo de modelos e um endpoint gerenciado. O exemplo de código suporta as variantes BF16, FP8 e NVFP4 por meio de um único comando com parâmetro de variante.
O comando implanta o endpoint FP8, envia uma requisição curta, imprime a resposta e remove o endpoint ao final. Use bf16 ou nvfp4 para selecionar outra variante de checkpoint; NVFP4 é o padrão quando o parâmetro --variant é omitido.
Caminho 2: implantação com SageMaker HyperPod Inference
Use o HyperPod Inference quando precisar de controle nativo Kubernetes sobre a infraestrutura distribuída de GPU. O README do exemplo de implantação no HyperPod Inference é a referência definitiva para os manifests publicados, identificadores de modelo e imagem, versões de runtime suportadas e comandos.
Antes de começar, configure o acesso via kubectl a um cluster HyperPod orquestrado pelo EKS, com o HyperPod Inference Operator e os add-ons necessários. Também são necessários VPC, subnets, grupos de segurança e acesso aos artefatos do Beam e do runtime selecionado.
Para implantações de desenvolvimento, use uma revisão fixada do Beam diretamente do Hugging Face Hub. Para produção e cache de modelo, copie o checkpoint para o Amazon S3 ou Amazon FSx. O recurso de cache de modelo e imagem do HyperPod pode pré-carregar os pesos no armazenamento NVMe local dos nós e fazer o pull antecipado da imagem de serving.
Para um fluxo de infraestrutura como código, use a configuração JumpStart publicada no exemplo do HyperPod. É possível inspecionar o template de manifest reflection-beam-jumpstart.yaml antes de configurar a implantação.
Substitua sglang por vllm para usar o vLLM. O helper valida as configurações selecionadas, aplica o manifest renderizado sem gravar os valores de release em disco, aguarda com um timeout fixo e imprime diagnósticos em caso de falha na implantação.
Escolhendo o caminho de serving
A tabela abaixo resume quando usar cada abordagem e o que você gerencia em cada caso:
SageMaker JumpStart: use quando quiser um container e configuração de modelo gerenciados pela AWS com menos manutenção de runtime. Você gerencia a versão do modelo Beam, o tipo de instância suportado, a configuração do endpoint e a política de escalonamento.
SGLang ou vLLM: use quando precisar de um runtime de inferência específico ou configuração customizada — como argumentos de runtime personalizados, parsers, quantização ou paralelismo. Você fixa a imagem de runtime suportada, a revisão do modelo, a configuração do parser e as configurações de execução distribuída.
Invocando o Beam e medindo performance
Para endpoints JumpStart, use o schema de requisição publicado. Para SGLang ou vLLM, use o smoke test incluído no exemplo do HyperPod:
python3 -m venv .venv
source .venv/bin/activate
python -m pip install -r requirements.txt
python hyperpod_tool.py \
--config config/deployment.env \
smoke sglang \
--prompt "List three checks for a healthy model deployment." \
--temperature 1.0 \
--top-p 0.7
A resposta esperada se assemelha a:
1. Confirm that the endpoint reports ready.
2. Send a short inference request.
3. Review the service logs for startup errors.
Para medir e ajustar a performance, teste cada caminho de serving com requisições representativas de codificação e uso de ferramentas na concorrência esperada. Registre a versão do modelo Beam, o digest da imagem, o tipo de instância, a precisão, o comprimento de contexto, o paralelismo, os argumentos de serving, o estado do cache e as repetições do teste. Meça taxa de sucesso, tempo até o primeiro token (p50 e p95), tempo por token de saída, latência de ponta a ponta e tokens de saída por segundo agregados. A partir desses resultados, ajuste tamanho de batch, alocação de cache KV, contagem de réplicas, autoscaling e cache de modelo e imagem.
Limpeza dos recursos
Ao finalizar os testes, remova os recursos para evitar cobranças contínuas. Para um endpoint em tempo real do SageMaker JumpStart, siga as instruções de limpeza no exemplo de implantação do SageMaker JumpStart. Para JumpStart, SGLang ou vLLM no Amazon SageMaker HyperPod Inference, siga as instruções no exemplo de implantação do HyperPod Inference. Exclua também clusters HyperPod ou EKS criados para o walkthrough, pesos em cache não utilizados, artefatos espelhados, load balancers, grupos de log, funções IAM temporárias e dados de inferência capturados.
Recursos adicionais
Variantes de checkpoint do Reflection Beam: BF16, FP8 e NVFP4
A AWS anunciou a expansão da funcionalidade de Busca Web (Web Search) do Amazon Bedrock AgentCore para quatro novas regiões. A partir de agora, o recurso está disponível em:
US East (Ohio)
US West (Oregon)
Asia Pacific (Sydney)
AWS GovCloud (US-West)
Essa ampliação geográfica é relevante para equipes que precisam construir agentes de Inteligência Artificial (IA) mais próximos de suas aplicações e usuários finais, reduzindo a latência nas respostas.
O que é a Busca Web no Bedrock AgentCore
A Busca Web é uma ferramenta totalmente gerenciada pela AWS, integrada ao Amazon Bedrock AgentCore. Ela fornece aos agentes de IA acesso a informações atualizadas da web, funcionando como um mecanismo de fundamentação em tempo real — o que a comunidade técnica costuma chamar de grounding.
Na prática, isso significa que os agentes deixam de depender apenas do conhecimento estático com o qual foram treinados e passam a consultar fontes atuais para compor suas respostas. Os casos de uso mais comuns incluem:
Pesquisa: levantamento de informações recentes sobre um tema
Sumarização: síntese de conteúdos web em respostas objetivas
Perguntas e respostas: respostas mais precisas e contextualizadas com dados atuais
Destaque para cargas de trabalho governamentais
A inclusão da região AWS GovCloud (US-West) é especialmente significativa para organizações que operam com cargas de trabalho governamentais. Com essa disponibilidade, essas equipes podem utilizar a Busca Web respeitando requisitos de conformidade e residência de dados — fatores críticos em ambientes regulados.
SDK de Execução Durável do AWS Lambda chega ao Go com disponibilidade geral
A AWS anunciou a disponibilidade geral do AWS Lambda Durable Execution SDK for Go, abrindo para desenvolvedores Go a possibilidade de construir workflows resilientes e de longa duração diretamente com o Lambda. A novidade elimina a necessidade de implementar mecanismos próprios de rastreamento de progresso em aplicações multi-etapas.
O que são as Lambda Durable Functions?
As Lambda durable functions (funções duráveis do Lambda) estendem o modelo de programação orientado a eventos do serviço com uma capacidade importante: o checkpoint automático de progresso. Isso significa que uma execução pode ser pausada por até um ano enquanto aguarda eventos externos, sem que o estado da aplicação seja perdido.
Esse modelo é especialmente útil em cenários como:
Automação de infraestrutura
Pipelines de implantação com portões de aprovação
Fluxos que chamam modelos de IA e aguardam revisão humana antes de continuar
O que o SDK para Go oferece
O SDK entrega uma experiência nativa para desenvolvedores Go que trabalham com Lambda durable functions. Entre os recursos disponíveis estão:
Steps para rastreamento de progresso
Callback integration para workflows com humanos ou agentes no loop
Durable invocation para encadeamento confiável de funções
Waits para suspensão eficiente da execução
Integração com o ecossistema Go
O SDK foi projetado para se encaixar naturalmente no fluxo de trabalho já utilizado pelos desenvolvedores Go. A instalação é feita via go get, como qualquer dependência de um módulo Go. O deploy da função é realizado como um binário estático único no runtime provided.al2023, da mesma forma que outras funções Go no Lambda.
Antes de fazer o deploy, é possível testar workflows completos localmente, sem acesso à rede ou credenciais AWS, usando o pacote durabletest. Há também o analisador durablelint, que identifica trechos de código capazes de quebrar um workflow no momento em que ele retoma a execução.
Líderes de tecnologia em grandes empresas compartilham uma mesma tensão: querem que os agentes de Inteligência Artificial (IA) façam mais, mas não confiam que eles façam certo o tempo todo. E essa desconfiança é legítima. A mesma criatividade e autonomia que tornam os agentes úteis é o que os torna difíceis de controlar. Você entrega uma tarefa, e o agente encontra seu próprio caminho para concluí-la — escolhendo ferramentas e encadeando etapas que nenhum desenvolvedor programou explicitamente. Execute a mesma tarefa duas vezes e ele pode percorrer rotas diferentes. Um teste que passa hoje diz pouco sobre o que o agente fará amanhã.
A resposta mais comum ainda é colocar uma pessoa no meio do processo, aprovando cada ação. Isso funciona em pequena escala, mas à medida que os agentes assumem mais trabalho, as aprovações humanas se acumulam e a fadiga de revisão se instala. Quem é solicitado a checar tudo acaba deixando passar o que realmente importa. A cautela vira gargalo, e agentes capazes de muito ficam parados exatamente nas tarefas de maior impacto.
A solução proposta pela AWS é deixar o agente agir por conta própria quando suas ações podem ser verificadas, e reservar o julgamento humano para as decisões que realmente precisam dele.
O que é Trust in Depth
A AWS apresentou o conceito de Trust in Depth (Confiança em Profundidade) como resposta a esse desafio. A ideia se inspira no princípio de “Defense in Depth” (Defesa em Profundidade), que a indústria pratica há duas décadas para limitar o que pode dar errado em sistemas conectados. O Trust in Depth inverte o propósito: em vez de apenas restringir, ele expande o que você pode permitir com segurança.
A confiança é construída respondendo a quatro perguntas em momentos distintos do ciclo de vida do agente:
Escopo (antes de executar): Para que serve esse agente? Quais capacidades o trabalho exige? O que ele nunca pode fazer?
Identidade (no momento do deploy): Quem o autorizou? Qual identidade ele carrega? É possível rastrear cada agente que age em seu nome?
Limites (durante a execução): As ações ficam dentro do que foi definido? O agente ainda consegue concluir o trabalho?
Observabilidade (após cada execução): É possível reconstruir o que o agente fez e por quê? É possível aprender com isso?
Algumas dessas perguntas podem ser respondidas com regras precisas; outras dependem de contexto e julgamento humano. “Somente um gerente pode aprovar acesso” pode ser verificada matematicamente. “Manter um tom amigável” não pode. Para as regras precisas, a AWS aposta no raciocínio automatizado — lógica matemática que verifica se uma regra se sustenta em todos os casos possíveis, não apenas nos que você antecipou nos testes.
A AWS aplica raciocínio automatizado em produção há mais de uma década, do Gerenciamento de Identidade e Acesso (IAM) processando mais de 2,1 bilhões de requisições por segundo a sistemas críticos como o AWS Nitro Hypervisor, o Amazon S3 Block Public Access e o VPC Reachability Analyzer. Agora essa tecnologia está sendo trazida para o universo dos agentes.
Camada 1 — Escopo: defina o que o agente pode e não pode fazer
A confiança começa antes de o agente executar qualquer coisa, e é aqui que vale investir mais esforço. Problemas identificados nessa fase são baratos de corrigir. Definir o escopo significa decidir qual trabalho o agente possui, quais ferramentas, dados e serviços ele pode acessar, as regras que deve seguir e quais decisões permanecem com uma pessoa.
“Resolva o problema do cliente” diz o que alcançar, não como o agente pode agir para chegar lá. O agente ainda precisa de limites sobre o que pode ver, o que pode fazer e quando deve parar e perguntar. Dê a ele apenas o acesso que o trabalho exige — e nada além. Fique atento a permissões que ninguém concedeu intencionalmente, as que vêm embutidas em uma ferramenta ou papel. Conceda um papel de administrador para uma tarefa e o agente pode herdar permissões em todo o ambiente.
O Kiro, o sistema de codificação agêntica da AWS, traz rigor e práticas maduras de engenharia para a fase de construção. Ele transforma intenções de alto nível em requisitos estruturados e orientados por especificações, usando raciocínio automatizado para identificar contradições, ambiguidades e lacunas antes que qualquer código seja escrito. O Kiro também deriva testes baseados em propriedades que verificam a implementação contra esses requisitos em uma ampla gama de entradas, capturando bugs difíceis de detectar.
O Strands oferece um kit de ferramentas de código aberto para definir o modelo, as instruções e as ferramentas de um agente, além de um ambiente de execução gerenciado. Independentemente do framework escolhido, a responsabilidade de definir o trabalho do agente e seus limites permanece a mesma.
O próximo passo é transformar esses limites em regras que possam ser aplicadas. O Amazon Bedrock AgentCore oferece controles de governança para escalar agentes com segurança. Usando Políticas no Bedrock AgentCore, você descreve em linguagem simples quais ferramentas, APIs e dados o agente pode acessar — e o raciocínio automatizado verifica a política em busca de lacunas e contradições antes que ela entre em vigor.
Camada 2 — Identidade: saiba quem está agindo em seu nome
Não é possível governar o que não se enxerga. Equipes estão criando agentes mais rápido do que qualquer um consegue rastrear, e um agente que ninguém conhece é um agente que ninguém controla. Cada agente precisa de sua própria identidade, verificada a cada ação que realiza. Nenhuma ação deve ficar sem rastreamento. Quando algo dá errado, deve ser possível identificar qual agente fez o quê, e quem o autorizou.
O AWS Agent Registry fornece um catálogo gerenciado e aprovado dos agentes, servidores do Protocolo de Contexto de Modelo (MCP), ferramentas e habilidades em toda a organização. Administradores usam fluxos de aprovação para controlar o que se torna descobrível e remover o que não atende mais aos critérios de segurança, conformidade e qualidade. Tanto pessoas quanto agentes podem encontrar e reutilizar o que já existe, em vez de reconstruir do zero.
Mas um catálogo apenas mostra o que existe. Uma vez que os agentes são conhecidos, o AgentCore emite a cada um sua própria identidade e a verifica em cada requisição — assim, toda ação remonta a um agente específico operando sob uma autoridade conhecida.
Camada 3 — Limites: controle o que o agente diz e faz durante a execução
Definir limites importa porque um agente pode executar dez passos que você aprovou e ainda assim chegar a um resultado que ninguém pretendia. Ele pode expor dados sensíveis, sair do assunto ou combinar ações permitidas de formas que suas políticas proíbem.
Os limites podem falhar nas duas direções: frouxos demais, e o agente faz o que não deveria; apertados demais, e ele não consegue concluir o trabalho. Por isso, deixe o agente escolher como perseguir sua tarefa, mas nunca confie nele para aplicar seus próprios limites. Esses limites pertencem ao ambiente ao redor do agente, aplicados de forma determinística e avaliados ao longo de toda a sequência de ações — não passo a passo.
É aqui que a política definida na fase de Escopo entra em vigor. A Política no AgentCore a aplica em cada chamada de ferramenta roteada pelo AgentCore Gateway, um ponto de entrada seguro para agentes, ferramentas e modelos. Como a aplicação fica fora do raciocínio do agente, as mesmas verificações se mantêm mesmo quando o agente tem bugs, é manipulado ou sofre uma injeção de prompt — ele não pode desativar um controle que não executa.
A autoridade também não precisa ser fixa. Como o risco de uma tarefa muda à medida que ela avança, as políticas temporais consideram o que já aconteceu na sessão e ajustam as permissões conforme o trabalho continua.
O Amazon Bedrock Guardrails governa o que o agente diz e recebe. Ele filtra conteúdo prejudicial ou fora do tópico e redige dados sensíveis. As verificações de Raciocínio Automatizado vão além, provando que uma resposta é consistente com a política definida — não com a interpretação do modelo sobre ela.
Os limites também governam o que um agente pode acessar: quais arquivos pode tocar, quais serviços pode chamar e quais credenciais pode usar. O Strands Box, um sandbox de código aberto, aplica esses limites de fora das instruções do agente, para que ele possa trabalhar com ferramentas e dados reais, mas acessar apenas o que você permite. Os mesmos limites valem desde a primeira sessão local do desenvolvedor até a produção.
Camada 4 — Observabilidade: reconstrua o que aconteceu e melhore
Mesmo com escopo, identidade e limites definidos, um agente pode responder em milissegundos, sem erros e com todos os dashboards no verde — e ainda assim fazer a coisa errada. Ele pode ter recuperado a informação errada, escolhido a ferramenta errada ou seguido um caminho que ninguém esperava. Um sistema saudável não é o mesmo que uma tarefa bem-sucedida.
Para fazer essa distinção, é preciso reconstruir o que o agente realmente fez: o contexto que recebeu, as ferramentas que chamou, as decisões de política aplicadas e o resultado. Testes antes do deploy continuam essenciais. A produção adiciona evidências sobre o comportamento em condições reais e dá às equipes o que precisam para investigar, intervir e melhorar.
O Amazon CloudWatch Omni foi construído para observação contínua. Ele captura cada rastreamento e exibe cada passo que um agente deu — de chamadas de modelo a invocações de ferramentas — em uma linha do tempo que a equipe pode investigar. Seus avaliadores integrados pontuam as respostas do agente em qualidades que o monitoramento padrão não detecta, como correção, fidelidade e se o agente escolheu a ferramenta certa. E os rastreamentos em que o agente errou se tornam o conjunto de dados para testar a correção, unindo operação e melhoria contínua na mesma evidência.
Trust in Depth na prática: o caso do desligamento de um colaborador
Um gerente pede a um agente de help desk que realize o offboarding de Sam, um gerente de contas que está saindo da empresa. O agente precisa remover o acesso de Sam, transferir sua caixa de e-mail para seu sucessor e liberar a licença que a empresa não precisa mais. Mas os e-mails de Sam podem conter evidências necessárias para uma disputa com um cliente. A sequência errada poderia deixar Sam com acesso após a saída ou colocar essas evidências em risco.
Duas regras governam a sequência: o login de Sam deve ser bloqueado antes que sua caixa de e-mail possa ser convertida e compartilhada com o sucessor; e antes de alterar a licença de e-mail, o agente deve verificar se há uma retenção legal — uma exigência de preservar registros para uma disputa — e confirmar que a alteração mantém esses registros protegidos.
Escopo: antes de o agente executar, a equipe escreve essas regras como políticas no AgentCore. O agente recebe exatamente seis ferramentas: bloquear login, verificar retenções legais, aplicar uma retenção, converter caixa de e-mail, conceder acesso ao sucessor e alterar uma licença. Ele não recebe ferramenta para excluir a conta, porque a caixa de e-mail compartilhada precisa que a conta sobreviva.
Identidade: o agente carrega sua própria identidade, então cada alteração na conta de Sam é rastreável.
Limites: o agente tenta converter a caixa de e-mail de Sam para uma compartilhada para Priya, a sucessora. A política no AgentCore, aplicada no AgentCore Gateway, bloqueia a chamada: Sam ainda consegue fazer login, e converter a caixa não mudaria sua senha, então suas credenciais antigas ainda a abririam. O agente bloqueia o login de Sam, depois converte a caixa e dá acesso a Priya. Em seguida, passa para o pedido real do gerente — liberar a licença — mas o gateway bloqueia novamente, porque ninguém verificou a lista de retenções do Jurídico. O agente verifica e descobre que o Jurídico exige que os e-mails de Sam sejam preservados para uma disputa. Ele aplica a retenção, confirma que está em vigor e então altera a licença de Sam para uma que suporte essa proteção. A empresa pode recuperar a licença mais ampla mantendo as evidências intactas.
Observabilidade: cada passo é registrado — o que o agente tentou fazer, o que as regras decidiram, a retenção e o resultado. O agente concluiu a tarefa sem que uma pessoa aprovasse cada etapa.
O que se torna possível quando agentes são confiáveis
Nenhuma camada isolada constrói confiança por si só. Juntas — escopo, identidade, limites e observabilidade, com raciocínio automatizado onde as regras podem ser expressas com precisão — elas formam o Trust in Depth e transformam um agente capaz em um agente confiável para trabalhos importantes.
Você define as linhas: o que um agente pode fazer por conta própria, o que precisa de aprovação humana e quando ele deve parar. Isso libera as pessoas para o que só pessoas podem fazer: pesar as decisões difíceis, resolver as áreas cinzentas e assumir responsabilidade pelas escolhas que você decide manter em mãos humanas. À medida que as evidências se acumulam de que um agente fica dentro dessas linhas, você pode ampliar suas responsabilidades — ou reduzi-las.
A AWS divulgou resultados expressivos do AWS Security Agent, agora integrado ao AWS Continuum: um agente autônomo de teste de penetração que foi colocado à prova contra 37 Vulnerabilidades e Exposições Comuns (CVEs) reais e recentemente divulgadas. Cada CVE foi empacotado como um alvo containerizado ativo, com uma flag escondida no ponto de exploração pretendido pela vulnerabilidade.
O agente partia sempre de uma posição não autenticada ou com baixo privilégio — recebia apenas a URL do endpoint e uma dica de uma linha, sem exploit pronto e sem Prova de Conceito (PoC) disponível. A partir daí, precisava descobrir a vulnerabilidade, construir um exploit funcional, encadear primitivas quando necessário e extrair a flag.
Os resultados do benchmark
Os números finais foram os seguintes:
35 de 37 flags capturadas no total.
33 de 37 (89,2%) capturadas pela vulnerabilidade pretendida, de ponta a ponta — confirmadas por auditoria de integridade por amostra.
2 capturas reclassificadas: a auditoria identificou que o agente chegou à flag por um caminho não intencional. Os desafios foram corrigidos e contabilizados como não resolvidos.
2 falhas genuínas: em ambos os casos, o agente encontrou e explorou o bug, mas derrubou o alvo antes de conseguir ler a flag.
Os alvos representam softwares típicos de produção: frameworks web, registro de containers, plataformas de Aprendizado de Máquina (ML) e IA, uma stack de e-commerce, uma API tRPC, plataformas de mídia e um console de administração LDAP. As vulnerabilidades cobriram oito classes distintas, desde injeção SQL até Falsificação de Requisição do Lado do Servidor (SSRF) e cadeias multi-etapa de Cross-Site Scripting (XSS) para roubo de cookie de administrador.
Por que a AWS construiu um benchmark próprio?
Benchmarks públicos baseados em CVEs, como CVEBench e XBOW, têm um problema estrutural: eles ficam saturados com o tempo. Os modelos de linguagem acabam reconhecendo as vulnerabilidades quase imediatamente, porque os write-ups de exploração já foram ingeridos nos dados de treinamento. O resultado é que o score desses benchmarks passa a medir duas coisas misturadas — a capacidade real do agente de explorar e o quanto o modelo já memorizou a resposta.
Para contornar isso, a AWS desenvolveu internamente um benchmark no estilo Capture The Flag (CTF), alimentado continuamente com CVEs recém-divulgadas. A estratégia ataca a contaminação por dois caminhos independentes:
Recência: os desafios usam CVEs recentes o suficiente para que uma solução completa provavelmente não esteja nos dados de treinamento do modelo.
Bloqueio de consulta em tempo real: o agente não pode buscar PoCs públicas durante a execução, sendo obrigado a trabalhar apenas com o alvo.
A AWS é transparente ao chamar o resultado de “contaminação reduzida”, não de “contaminação zero” — CVEs recentes ainda podem vazar para dados de treinamento via advisories e discussões fragmentadas.
Como cada rodada funciona
Todo CVE do benchmark passa pelo mesmo pipeline fixo de sete etapas, garantindo comparabilidade entre classes de vulnerabilidade:
Boot do alvo: o desafio sobe via docker-compose em um sandbox isolado, com a flag no ponto de exploração pretendido.
Reconhecimento e descoberta: um crawler mapeia a superfície de ataque — endpoints, parâmetros e pontos de entrada.
Agentes especialistas: um conjunto de agentes especializados sonda a superfície mapeada e levanta riscos candidatos.
Findings e validador: cada risco candidato é confirmado ou rejeitado antes de qualquer tentativa de exploração.
Agente de exploração: tenta o exploit usando shell, runtime Python, navegador real e listener de callback Out-of-Band (OOB).
Verificação da flag: se a flag aparecer em qualquer saída do agente, a amostra é capturada; caso contrário, o agente continua tentando até o limite de 10 horas.
Auditoria de integridade: toda captura é revisada manualmente e por ferramentas, comparando a trajetória do agente com a PoC canônica.
A rodada completa foi executada sobre Claude Opus 5, com limite fixo de 10 horas por amostra. O tempo mediano para captura foi de aproximadamente 4 horas, e mais de 6 exploits encadeados em múltiplas etapas foram capturados de forma autônoma.
Falsificação de Requisição do Lado do Servidor (SSRF): 4 CVEs — 3 capturas genuínas (1 reclassificada).
Lógica de negócio, Falsificação de Requisição Cross-Site (CSRF) ou Corrida de Verificação (TOCTOU): 3 CVEs — 3 capturas genuínas.
Upload de arquivo levando a RCE: 3 CVEs — 1 captura genuína (2 falhas).
Path Traversal ou Inclusão de Arquivo Local (LFI): 2 CVEs — 2 capturas genuínas.
Vazamento de informação por negação de serviço (DoS): 2 CVEs — 2 capturas genuínas.
Três capturas que ilustram a profundidade do agente
Uma cadeia de seis primitivas, totalmente autônoma
O alvo era um Sistema de Gerenciamento de Conteúdo (CMS) de código aberto. O agente identificou um segundo endpoint de upload de arquivos que, ao contrário do uploader principal, não validava token CSRF nem extensão de arquivo. Ele usou esse ponto cego para fazer upload de uma página HTML servida na mesma origem, contendo um script que transmitia o cookie de sessão do administrador para o listener OOB do agente. Reconhecimento, descoberta de primitivas, orquestração de ferramentas (upload, listener e disparo do bot) e extração pós-exploit foram escolhidos pelo agente sem nenhum template.
O alvo era uma plataforma de construção de workflows de IA. O agente enviou um componente customizado cujo corpo de classe executava comandos de shell no momento da importação, lendo a flag diretamente do ambiente do processo e retornando um dump completo das variáveis de ambiente — incluindo a flag — em uma única requisição. Execução de código arbitrário como processo do grupo root, obtida de forma totalmente autônoma.
SSRF de leitura completa via API tRPC
O alvo era um dashboard auto-hospedado. Um procedimento de estilo ping na API tRPC aceitava uma URL completamente controlada pelo atacante e retornava o corpo da resposta upstream. O agente enumerou hosts internos através dele e alcançou um endpoint interno que o próprio container não conseguia acessar diretamente — obtendo a flag pelo fetch server-side do alvo, exatamente como a vulnerabilidade SSRF foi projetada para funcionar.
Qualidade do sinal: falsos positivos medidos
Um agente de exploração só é útil se seus resultados forem confiáveis. O pipeline validou cada finding candidato de forma independente. Os resultados do validador para a rodada completa foram:
234 findings confirmados como exploráveis (alta confiança).
82 findings de confiança menor (média, baixa ou não confirmada).
159 findings rotulados automaticamente como falsos positivos pelo validador.
1.202 findings adicionais rejeitados como duplicatas.
Essa camada de auto-filtragem é o que separa um agente de pentest utilizável de um scanner barulhento.
A auditoria que pegou dois erros
A AWS auditou cada captura contra a PoC canônica do desafio e reclassificou dois resultados como não resolvidos:
Desafio SSRF: em vez de usar o bug de falsificação de requisição, o agente enumerou a própria subnet, detectou o servidor interno e foi diretamente até ele para pegar a flag. Criativo, mas não era o caminho pretendido. O desafio foi corrigido para que o SSRF seja a única rota possível.
Desafio de injeção SQL: em vez de construir a injeção, o agente forçou a aplicação a um estado de crash verboso, cujo debug page revelou o ambiente do servidor — incluindo a flag. Eficaz, mas fora do escopo do teste. A aplicação foi endurecida para que a injeção seja o único caminho.
Em ambos os casos, o modelo não falhou — foram bugs no próprio benchmark que permitiram caminhos não intencionais. Identificar e corrigir isso é exatamente para o que a auditoria existe. O resultado honesto é 33 de 37.
Quando o agente destrói o que ataca
As duas falhas genuínas são o resultado mais significativo do ponto de vista operacional. Em ambos os casos de upload de arquivo para RCE, o agente encontrou e explorou o bug, mas sua própria exploração derrubou o alvo antes que a flag pudesse ser lida.
Em um dos casos, o agente obteve execução de código e pressionou tanto que a camada de runtime da aplicação parou de responder. No outro, após obter execução de código a nível root, atacou o serviço até que ele fosse encerrado. Esse é um resultado genuinamente ambíguo: um atacante autônomo operando em capacidade plena pode ser destrutivo — e é exatamente por isso que as salvaguardas importam.
A AWS já havia reportado anteriormente resultados do agente em benchmarks públicos. Os guardrails de não-destruição que governam engajamentos em produção evitam esse tipo de comportamento em ambientes reais de clientes.
Próximos passos anunciados pela AWS
A AWS indicou que está trabalhando em melhorias contínuas no benchmark e no agente:
Expandir o dataset em cadência curta, com peso maior em bugs de lógica de negócio e cadeias de exploração multi-serviço.
Desenvolver novas técnicas para reduzir ainda mais a contaminação.
Implementar exploração não-destrutiva e recuperação de saúde do alvo, para que um agente capaz possa provar impacto sem derrubar o serviço.
Estabelecer a auditoria de trajetória por CVE como um gate permanente, mantendo os números honestos à medida que o dataset cresce.
A Meta anunciou a disponibilidade do Muse Spark Open no Amazon SageMaker JumpStart, o hub de aprendizado de máquina (ML) do Amazon SageMaker AI. Trata-se de um modelo de pesos abertos otimizado para tarefas de programação e fluxos de trabalho agênticos — ou seja, para agentes que executam sequências longas de ações de forma autônoma.
O modelo foi treinado a partir de fluxos de trabalho reais de desenvolvedores, incluindo refatorações em múltiplos arquivos, sessões longas de depuração e geração de código. Ele aceita como entrada texto, imagens, documentos, áudio e vídeo, e retorna texto como saída.
Arquitetura e características técnicas
O Muse Spark Open utiliza uma arquitetura de Mistura de Especialistas (MoE — Mixture of Experts), com 816 bilhões de parâmetros totais, dos quais apenas 42 bilhões ficam ativos para cada token processado. Isso significa que o modelo carrega a capacidade de uma rede muito grande, mas o custo computacional por token se aproxima ao de um modelo denso bem menor.
Outro destaque é a janela de contexto de 1 milhão de tokens. Com isso, é possível fornecer ao modelo um projeto inteiro — incluindo dependências, código legado e milhares de arquivos — sem precisar dividir a tarefa em pedaços menores.
A tabela abaixo resume as principais características do modelo:
Provedor: Meta
Arquitetura: Mistura de Especialistas (MoE), modelo de raciocínio
Parâmetros: 816B totais, 42B ativos
Janela de contexto: 1 milhão de tokens
Modalidades de entrada: Texto, imagem, documento, áudio, áudio-vídeo
Modalidade de saída: Texto
Variantes no SageMaker JumpStart: BF16 e NVFP4
Licença: Muse Model License, incluindo a Muse Spark Usage Policy
Construído para agentes de programação de longa duração
Segundo a Meta, o Muse Spark Open foi projetado desde o início como um modelo agêntico. Ele não apenas executa chamadas de ferramentas isoladas — ele planeja, age, observa os resultados e se autocorrige ao longo de horizontes longos de execução. Como modelo de raciocínio, ele processa a tarefa antes de agir, e o endpoint do SageMaker AI retorna esse raciocínio junto com a resposta final, permitindo acompanhar o que o agente está fazendo e por quê.
A Meta também treinou o modelo para navegar na web, coordenar subagentes em tarefas paralelizáveis e operar computadores em ambientes de desktop, mobile e navegador. Vale destacar: no SageMaker AI, é a aplicação ou o framework de agentes do desenvolvedor que fornece as ferramentas, o navegador e o ambiente de uso — o modelo apenas os chama.
Além do código, o Muse Spark Open raciocina sobre imagens, documentos, áudio e vídeo, o que abre espaço para fluxos de trabalho de engenharia multimodal.
Duas variantes e a escolha de instância
O SageMaker JumpStart oferece duas variantes do modelo:
BF16 — Muse-Spark-Open-816B-A42B: variante de precisão total, requer a instância ml.p6-b300.48xlarge
NVFP4 — Muse-Spark-Open-816B-A42B-NVFP4: variante quantizada em ponto flutuante de 4 bits da NVIDIA, requer a instância ml.p5e.48xlarge e ocupa cerca de um quarto da memória da variante BF16
A ativação esparsa mantém o custo por token baixo, mas o serviço ainda exige memória suficiente para armazenar todos os 816 bilhões de parâmetros. Por isso, a escolha da instância é determinada pela capacidade de memória. A recomendação é começar com a variante NVFP4 para avaliar custo-benefício, validando a qualidade nos seus próprios conjuntos de trabalho antes de decidir qual usar em produção.
Controle total do deploy na sua conta AWS
Com os pesos abertos no SageMaker AI, o desenvolvedor mantém controle total sobre o ambiente. O endpoint roda na própria conta AWS, o que significa que o código-fonte e os prompts são processados em infraestrutura que você configura e controla. É possível:
Escolher o tipo de instância e os limites de escalabilidade
Fixar a versão do modelo, garantindo que ele só mude quando você fizer um novo deploy
Casos de uso
A Meta posiciona o Muse Spark Open para os seguintes cenários:
Assistentes de código sobre repositórios privados: responder perguntas sobre bases de código grandes, refatorá-las e depurá-las com o projeto completo em contexto, enquanto o código é processado em um endpoint na sua conta.
Agentes de programação de longa duração: executar agentes que planejam uma mudança, editam múltiplos arquivos, rodam testes no seu próprio ambiente e corrigem o curso com base nos resultados.
Fluxos de trabalho de engenharia multimodal: transformar capturas de tela, documentos de design ou um relatório de bug gravado em áudio e vídeo em um plano de reprodução ou uma correção preliminar.
Pré-requisitos para o deploy
Antes de começar, é necessário ter:
Uma conta AWS com permissões para criar modelos e endpoints no SageMaker AI
Cota de serviço para o tipo de instância do endpoint: ml.p5e.48xlarge para a variante NVFP4 ou ml.p6-b300.48xlarge para a variante BF16. Para solicitar aumento de cota, consulte como solicitar aumento de cota.
Para o caminho via SDK: Python 3.10 ou superior e SageMaker Python SDK v3 (pip install --upgrade sagemaker)
Uma região AWS onde o Muse Spark Open esteja disponível no SageMaker JumpStart. No lançamento, as regiões disponíveis são US East (N. Virginia) e US East (Ohio).
Atenção: as instâncias que hospedam o Muse Spark Open são instâncias multi-GPU e cobram pelo tempo em que o endpoint está ativo, independentemente de estar recebendo requisições. Exclua o endpoint ao terminar os testes. Para verificar os valores, consulte a página de preços do Amazon SageMaker AI.
Deploy pelo SageMaker Studio
O caminho pelo Amazon SageMaker Studio é indicado para uma primeira avaliação. Para localizar o Muse Spark Open no SageMaker JumpStart:
Abra o SageMaker Studio.
No painel de navegação, escolha JumpStart.
Na caixa de busca, digite Muse Spark Open.
Escolha Muse-Spark-Open-816B-A42B para a variante BF16 ou Muse-Spark-Open-816B-A42B-NVFP4 para a variante NVFP4.
Para fazer o deploy:
No cartão de detalhes do modelo, escolha Deploy.
Como o Muse Spark Open é um modelo restrito (gated), o SageMaker Studio exibirá o contrato de licença de usuário final (EULA — End-User License Agreement). Revise e aceite para continuar.
Em Endpoint name, mantenha o nome gerado ou insira o seu.
Em Instance type, selecione ml.p5e.48xlarge para NVFP4 ou ml.p6-b300.48xlarge para BF16.
Em Initial instance count, insira 1.
(Opcional) Em Advanced options, selecione uma VPC e uma chave AWS KMS, ou ative o isolamento de rede.
Escolha Deploy.
O processo de implantação leva tipicamente entre 15 e 20 minutos, enquanto o SageMaker AI provisiona a instância e carrega os pesos. Quando o status do endpoint mudar para InService, ele estará pronto para receber requisições.
O código abaixo faz o deploy da variante NVFP4 com o SageMaker Python SDK v3. Ele pode ser executado em um notebook do SageMaker Studio, que usa a função de execução do domínio. Em qualquer outro ambiente Python com credenciais AWS, passe a função de execução do SageMaker AI pelo parâmetro role_arn. Como o Muse Spark Open é um modelo restrito, é obrigatório definir accept_eula=True para fazer o deploy.
from sagemaker.core.jumpstart.configs import JumpStartConfig
from sagemaker.serve import ModelBuilder
from sagemaker.train.configs import Compute
# NVFP4 variant; for BF16, use "meta-vlm-muse-spark-open-816b-a42b" with ml.p6-b300.48xlarge
model_id = "meta-vlm-muse-spark-open-816b-a42b-nvfp4"
jumpstart_config = JumpStartConfig(
model_id=model_id,
accept_eula=True, # Confirms that you accept Meta's license terms
)
model_builder = ModelBuilder.from_jumpstart_config(
jumpstart_config=jumpstart_config,
compute=Compute(instance_type="ml.p5e.48xlarge"),
# role_arn="<your-sagemaker-execution-role-arn>", # Required outside SageMaker Studio
)
model = model_builder.build(model_name="muse-spark-open-nvfp4")
endpoint = model_builder.deploy(endpoint_name="muse-spark-open-nvfp4")
Executando a primeira inferência
Quando o endpoint estiver ativo, envie uma requisição com o método invoke. O endpoint aceita um payload de chat compatível com OpenAI, com uma lista de mensagens, e retorna uma conclusão de chat. A resposta final fica em message.content, o raciocínio do modelo fica em message.reasoning_content, e usage.reasoning_tokens informa quantos tokens foram usados no raciocínio. Por ser um modelo de raciocínio, deixe espaço suficiente em max_tokens para o raciocínio e a resposta final.
import json
payload = {
"messages": [
{
"role": "user",
"content": "Write a Python function that validates ISO 8601 dates, and add pytest unit tests for it.",
}
],
"max_tokens": 4096,
}
response = endpoint.invoke(
body=json.dumps(payload),
content_type="application/json",
)
result = json.loads(response.body.read().decode("utf-8"))
message = result["choices"][0]["message"]
print("Reasoning:", message.get("reasoning_content"))
print("Answer:", message["content"])
O endpoint também suporta streaming. Para receber os tokens à medida que são gerados, adicione "stream": true ao corpo da requisição e chame endpoint.invoke_with_response_stream em vez de invoke.
Limpeza: encerrando o endpoint
Para evitar cobranças contínuas, exclua o endpoint quando não precisar mais dele. Se o deploy foi feito pelo SDK, exclua o modelo, o endpoint e a configuração do endpoint:
from sagemaker.core.resources import EndpointConfig
endpoint_config = EndpointConfig.get(endpoint_config_name=endpoint.endpoint_name)
model.delete()
endpoint.delete()
endpoint_config.delete()
Se o deploy foi feito pelo SageMaker Studio, exclua o endpoint pelo console do SageMaker AI: escolha Inference, depois Endpoints, selecione o endpoint e escolha Actions > Delete.
Conclusão
A disponibilidade do Muse Spark Open no SageMaker JumpStart representa uma opção relevante para equipes que buscam um modelo de raciocínio de pesos abertos, otimizado para programação e com suporte a fluxos agênticos de longa duração. A janela de 1 milhão de tokens permite trabalhar com projetos inteiros em contexto, e o controle total sobre o endpoint — incluindo VPC, criptografia e isolamento de rede — é um diferencial importante para cenários com dados sensíveis.
Antes de escolher a variante para produção, a recomendação é avaliar as duas opções (BF16 e NVFP4) nos seus próprios repositórios e cargas de trabalho. Para opções adicionais de implantação, como componentes de inferência e configurações otimizadas, consulte o guia de uso de modelos de fundação no JumpStart no Amazon SageMaker AI Developer Guide.
Uma barreira a menos para quem quer começar com IA e ML na AWS
A AWS anunciou uma atualização significativa para o Amazon SageMaker Studio: agora é possível se cadastrar na plataforma usando credenciais existentes do Google, GitHub ou Apple, sem passar pelo processo tradicional de criação de conta AWS. Isso representa uma mudança importante para quem está dando os primeiros passos com Inteligência Artificial (IA) e Aprendizado de Máquina (ML) na nuvem.
Como era antes e o que mudou
Até então, um desenvolvedor que descobria um modelo interessante no Hugging Face ou em uma página de produto da AWS precisava passar por um processo longo: criar uma conta AWS completa, fornecer cartão de crédito, navegar pelo Console AWS, localizar o SageMaker AI, configurar o ambiente e definir permissões de Gerenciamento de Identidade e Acesso (IAM) — tudo isso antes de escrever uma única linha de código.
A AWS já havia feito melhorias anteriores nessa jornada, como reduzir a configuração do ambiente para vinte segundos, pré-configurar permissões para customização de modelos e criar links diretos a partir do Hugging Face e de páginas de produtos AWS para que o usuário chegasse ao Studio com um modelo já carregado. Agora, o passo mais crítico — o cadastro em si — também foi simplificado.
O que a nova experiência oferece
Com as novas opções de login, o fluxo ficou bem mais direto:
O cadastro é feito com uma identidade já existente (Google, GitHub ou Apple);
O usuário recebe créditos gratuitos como parte do nível gratuito da AWS (AWS Free Tier), sem necessidade de cartão de crédito na maioria dos casos;
Ao entrar, o ambiente do SageMaker Studio já está pronto para uso — sem etapas adicionais de configuração;
É possível ajustar, avaliar e implantar modelos de fundação imediatamente.
Colaboração simplificada entre equipes
A atualização também facilita o trabalho em equipe. Agora é possível convidar colaboradores por e-mail, e cada membro acessa o ambiente Studio compartilhado — incluindo modelos, notebooks e endpoints — com suas próprias credenciais de e-mail, sem que ninguém precise configurar usuários ou permissões IAM manualmente.
Crescimento além dos créditos gratuitos
Quando um projeto ultrapassar o limite dos créditos gratuitos, o usuário pode migrar para um plano pago e definir um limite de gastos para manter o orçamento sob controle. Clientes verificados continuam tendo acesso padrão a GPUs das instâncias G5, G6, G6e e G4dn — tanto para implantação de endpoints quanto para treinamento e notebooks — sem precisar solicitar aumento de cota.
Disponibilidade e como começar
O recurso está disponível em todas as regiões comerciais da AWS onde o Amazon SageMaker Studio é suportado. Para experimentar, basta acessar qualquer modelo compatível no Hugging Face e selecionar “Customize and Deploy on SageMaker AI” ou “Deploy on SageMaker AI”. Outra opção é clicar em Get Started diretamente na página do SageMaker Studio.