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  • Automatize certificados com suporte ao protocolo ACME no AWS Certificate Manager

    O problema que forçou essa mudança

    Gerenciar certificados TLS em escala é uma das maiores dores operacionais de times de infraestrutura. E esse cenário está prestes a ficar ainda mais exigente: o Fórum CA/Browser (CA/Browser Forum) determinou uma redução progressiva na validade máxima dos certificados públicos. Em março de 2027, o limite cai para 100 dias. Em março de 2029, chega a apenas 47 dias.

    Para ter uma ideia do impacto: uma organização que gerencia 1.000 certificados precisará lidar com cerca de 30 eventos de renovação por dia quando a janela de 47 dias entrar em vigor. Processos manuais ou fluxos baseados em tickets simplesmente não são capazes de sustentar essa cadência.

    Foi nesse contexto que a AWS anunciou o suporte ao protocolo ACME (Ambiente de Gerenciamento Automatizado de Certificados) no AWS Certificate Manager (ACM). A novidade permite que equipes utilizem clientes ACME já conhecidos — como certbot, cert-manager, acme.sh e win-acme — para automatizar a emissão e renovação de certificados públicos em qualquer infraestrutura.

    O que é o ACME e por que ele importa

    O ACME é um protocolo de código aberto que automatiza a verificação de propriedade de domínio e a emissão de certificados. Ele se tornou o mecanismo padrão para automação de certificados no setor.

    O ACM já oferecia emissão e renovação gerenciadas de certificados para serviços integrados da AWS, como Elastic Load Balancing (ELB), Amazon CloudFront e Amazon API Gateway. Mas muitos clientes também precisam automatizar certificados para infraestruturas próprias — servidores em data centers, clusters Kubernetes, frotas de Internet das Coisas (IoT) e ambientes híbridos. Até agora, esses cenários exigiam recorrer a provedores externos. Com o suporte ACME, o ACM passa a atender também essa demanda, usando o protocolo padrão com endpoints gerenciados pela AWS.

    Como a arquitetura funciona

    O recurso introduz um novo tipo de recurso gerenciado centralmente: o endpoint ACME. Cada endpoint é um recurso AWS com uma URL de diretório ACME exclusiva e controles de acesso baseados no AWS Identity and Access Management (IAM). Os endpoints são criados e gerenciados via API do ACM ou pelo Console de Gerenciamento da AWS.

    A arquitetura se divide em dois planos:

    • Plano de controle: administradores de Infraestrutura de Chave Pública (PKI) usam as APIs do ACM para criar endpoints ACME, pré-aprovar os domínios que cada endpoint pode emitir certificados e gerar credenciais de Vinculação de Conta Externa (EAB).
    • Plano de dados: clientes ACME se registram em um endpoint usando credenciais EAB e solicitam certificados para domínios que o administrador já validou. Assim, os proprietários de aplicações não precisam de credenciais DNS para obter um certificado.

    As credenciais EAB controlam o acesso dos clientes aos endpoints. Cada EAB está vinculado a uma função (role) do IAM que define quais operações o cliente ACME pode realizar. Um cliente autorizado para um endpoint de desenvolvimento, por exemplo, não consegue obter certificados do endpoint de produção — o que cria fronteiras de segurança claras entre ambientes.

    Os certificados emitidos por ACME são automaticamente registrados no inventário do ACM, aparecendo junto com certificados criados pelas APIs RequestCertificate e ImportCertificate. O Amazon EventBridge e o AWS CloudTrail fornecem alertas de expiração e logs de auditoria.

    Imagem original — fonte: Aws

    Como começar: passo a passo

    A seguir, os passos para criar o primeiro certificado via ACME no ACM. Os exemplos utilizam a Interface de Linha de Comando da AWS (AWS CLI). Há também um post equivalente via console.

    Pré-requisitos

    • Uma conta AWS com permissões para criar e gerenciar recursos do ACM
    • Um cliente ACME instalado na sua infraestrutura (certbot, cert-manager, acme.sh, entre outros)
    • AWS CLI instalado
    • Zona hospedada no Amazon Route 53 ou capacidade de criar um registro CNAME no seu provedor de DNS

    Passo 1: Criar um endpoint ACME

    O endpoint fornece a URL que os clientes ACME utilizarão para solicitar certificados.

    aws acm create-acme-endpoint \
      --authorization-behavior PRE_APPROVED \
      --certificate-authority '{"PublicCertificateAuthority":{"AllowedKeyAlgorithms":["EC_prime256v1"]}}'

    Anote o Nome de Recurso Amazon (ARN) do endpoint retornado na resposta:

    {"AcmeEndpointArn": "arn:aws:acm:us-east-1:123456789012:acme-endpoint/11111111-2222-3333-4444-555555555555"}

    Em seguida, recupere a URL do endpoint:

    aws acm describe-acme-endpoint \
      --acme-endpoint-arn arn:aws:acm:us-east-1:123456789012:acme-endpoint/11111111-2222-3333-4444-555555555555

    Salve o valor de EndpointUrl retornado:

    {
      "AcmeEndpoint": {
        "AcmeEndpointArn": "arn:aws:acm:us-east-1:123456789012:acme-endpoint/11111111-2222-3333-4444-555555555555",
        "EndpointUrl": "https://acm-acme-enroll.<region>.api.aws/6666666-7777-8888-9999-000000000000/directory",
        "Status": "ACTIVE",
        "AuthorizationBehavior": "PRE_APPROVED",
        "Contact": "REQUIRED",
        "CertificateAuthority": {
          "PublicCertificateAuthority": {
            "AllowedKeyAlgorithms": [
              "EC_prime256v1"
            ]
          }
        },
        "CreatedAt": "2026-07-14T18:23:58.876000-04:00",
        "UpdatedAt": "2026-07-14T18:23:58.876000-04:00"
      }
    }

    Passo 2: Pré-aprovar um domínio

    Antes que os clientes ACME possam solicitar certificados, o administrador valida o domínio via DNS uma única vez, no nível do endpoint. O parâmetro DomainScope controla exatamente quais padrões de certificado são permitidos:

    • ExactDomain habilitado: restringe ao nome exato do domínio
    • Subdomains habilitado: permite nomes como api.example.com
    • Wildcards habilitado: permite *.example.com

    Para um endpoint de produção, a recomendação é habilitar apenas ExactDomain e Subdomains, deixando Wildcards desabilitado para uma postura mais restritiva.

    aws acm create-acme-domain-validation \
      --acme-endpoint-arn arn:aws:acm:us-east-1:123456789012:acme-endpoint/11111111-2222-3333-4444-555555555555 \
      --domain-name example.com \
      --prevalidation-options '{"DnsPrevalidation":{"DomainScope":{"ExactDomain":"ENABLED","Subdomains":"ENABLED","Wildcards":"DISABLED"},"HostedZoneId":"Z1234567890ABC"}}'

    Se o domínio estiver hospedado no Route 53, o parâmetro HostedZoneId permite que o ACM crie o registro CNAME automaticamente. Para outros provedores de DNS, omita esse parâmetro e crie o registro manualmente. A validação normalmente é concluída em poucos segundos após o registro estar no lugar.

    Passo 3: Gerar credenciais EAB

    As credenciais EAB autenticam os clientes ACME no endpoint. O ideal é gerar um conjunto exclusivo de credenciais para cada cliente ou ambiente.

    aws acm create-acme-external-account-binding \
      --acme-endpoint-arn arn:aws:acm:region:111122223333:acme-endpoint/00000000-0000-0000-0000-000000000000 \
      --role-arn arn:aws:iam::111122223333:role/AcmeIssuanceRole \
      --expiration '{"Value": 7, "Type": "DAYS"}'

    Para recuperar as credenciais geradas:

    aws acm get-acme-external-account-binding-credentials \
      --acme-external-account-binding-arn arn:aws:acm:region:111122223333:acme-endpoint/00000000-0000-0000-0000-000000000000/acme-external-account-binding/22222222-2222-2222-2222-222222222222

    Salve os valores de KeyId e MacKey para a próxima etapa.

    {
      "KeyId": "xxxxxxxx-xxxx-xxxx-xxxx-xxxxxxxxxxxx",
      "MacKey": "xxxxxxxx-xxxxxxxxxx-xxxxxxxxxxxxxxx"
    }

    Passo 4: Configurar o cliente ACME

    Com a URL do endpoint e as credenciais EAB em mãos, configure o cliente ACME de sua preferência. Exemplos para dois clientes populares:

    acme.sh:

    acme.sh --issue --server https://acm-acme-enroll.us-east-1.api.aws/123457-1234-1234-123456789012/directory \
      --eab-kid <KeyId> --eab-hmac-key <MacKey> \
      --email <EMAIL> \
      -d <DOMAIN> \
      --dns --yes-I-know-dns-manual-mode-enough-go-ahead-please

    Certbot:

    certbot certonly --standalone --non-interactive --agree-tos \
      --email <EMAIL> \
      --server https://acm-acme-enroll.us-east-1.api.aws/1234567-1234-1234-123456789012/directory \
      --eab-kid <KeyId> \
      --eab-hmac-key <MacKey> \
      -d <DOMAIN>

    Após o registro inicial, o cliente ACME passa a gerenciar as renovações automaticamente.

    Controles empresariais e boas práticas

    Validação de domínio granular

    Para cada domínio validado, é possível definir exatamente quais padrões de certificado são permitidos — ExactDomain, Subdomains ou Wildcards. Essa aplicação acontece no nível do endpoint, antes que as requisições cheguem à autoridade certificadora do ACM. Múltiplos domínios podem ser validados em um único endpoint, cada um com seu próprio escopo.

    Visibilidade centralizada de certificados

    Todos os certificados emitidos pelos endpoints ACME são registrados no ACM. O comando aws acm list-certificates exibe o inventário completo. As operações de gerenciamento de endpoints são autorizadas via IAM e registradas no CloudTrail, permitindo auditoria detalhada de quem criou endpoints, gerou credenciais EAB e gerenciou restrições de domínio.

    Segmentação de endpoints por ambiente

    A recomendação da AWS é segmentar endpoints por fronteiras organizacionais ou de ambiente. Um ponto de partida razoável é criar um endpoint por ambiente (dev, staging e produção) dentro de uma unidade de negócio, expandindo para endpoints por unidade de negócio apenas quando requisitos de conformidade ou organizacionais exigirem. Credenciais comprometidas em um ambiente não têm caminho para certificados de outro.

    Gerenciamento seguro de credenciais EAB

    Qualquer pessoa que possua um KeyId e MacKey válidos pode obter certificados para qualquer domínio pré-aprovado no endpoint — portanto, essas credenciais merecem o mesmo cuidado dado a chaves de acesso. A AWS recomenda evitar codificar o MacKey diretamente no código, usando um cofre de segredos como o AWS Secrets Manager. Também é importante criar uma função (role) IAM por EAB, em vez de compartilhar uma única role entre todos os bindings, e configurar o tempo de expiração do EAB de acordo com o perfil de risco da organização.

    No CloudTrail, vale monitorar separadamente as chamadas CreateAcmeExternalAccountBinding e GetAcmeExternalAccountBindingCredentials — alertar sobre eventos de recuperação das credenciais é um sinal mais forte de distribuição real do que apenas a criação do binding.

    Automação do ciclo de vida dos EABs

    Para escalar com múltiplos endpoints, algumas práticas ajudam a reduzir o esforço operacional:

    • Nomeie cada EAB e sua role IAM vinculada com o nome do cliente ao qual pertence (time, aplicação, ambiente)
    • Armazene o KeyId e o MacKey de cada cliente em um caminho de segredos específico (por exemplo, um caminho no Secrets Manager por time e ambiente)
    • No Kubernetes, use um ClusterIssuer ou Issuer com escopo de namespace por EAB, em vez de um issuer compartilhado entre times
    • Para infraestrutura efêmera (agentes de build, frotas com autoescalamento), provisione credenciais EAB como parte do pipeline de Integração e Entrega Contínuas (CI/CD), para que o ciclo de vida das credenciais acompanhe o da infraestrutura

    Monitoramento contínuo

    Com certificados de 47 dias de validade, uma falha silenciosa de renovação deixa muito menos tempo de reação do que as janelas longas às quais os times estavam acostumados. Por isso, a AWS recomenda configurar alarmes para falhas de emissão — não apenas para sucessos — e testar a automação de renovação em um endpoint de não-produção antes de depender dela em produção.

    Disponibilidade e preços

    O suporte ao ACME no AWS Certificate Manager está disponível hoje em todas as regiões comerciais da AWS. A disponibilidade para AWS GovCloud (EUA), Regiões da China e AWS European Sovereign Cloud será anunciada em momento posterior. Consulte a página de preços do ACM para informações sobre os valores cobrados pelo recurso ACME.

    Conclusão

    A redução progressiva na validade dos certificados é um problema que não tem solução sem automação. O suporte ao ACME no ACM oferece essa automação por meio de um protocolo e ferramentas já padronizados no mercado, mantendo a visibilidade e os controles de governança que os times de segurança esperam do ACM. Para começar, consulte a documentação do AWS Certificate Manager ou siga o guia de introdução.

    Fonte

    Automate certificates with ACME support in AWS Certificate Manager (https://aws.amazon.com/blogs/security/automate-certificates-with-acme-support-in-aws-certificate-manager/)

  • AWS firma parceria com Anthropic e OpenAI para integrar o AWS Continuum nos fluxos de trabalho de desenvolvedores

    Segurança de código no ritmo das máquinas

    Os modelos de IA estão evoluindo em ritmo acelerado. Cada nova geração traz janelas de contexto maiores, raciocínio mais sofisticado e custos menores por token. Nesse cenário, a AWS entende que a segurança mais eficaz virá de ferramentas que combinem os modelos mais avançados com um conhecimento profundo do ambiente específico de cada cliente.

    É com essa premissa que a AWS anunciou a AWS Continuum para vulnerabilidades de código (Preview) — e agora vai além, revelando parcerias com a Anthropic e a OpenAI para levar o Continuum diretamente para dentro dos ambientes onde o código está sendo escrito: Claude Code, OpenAI Codex e Kiro.

    O desafio por trás da evolução dos modelos

    Os modelos de fronteira mais recentes já conseguem identificar vulnerabilidades e rastrear caminhos de ataque em múltiplas etapas — algo que levaria semanas para uma equipe de segurança humana fazer manualmente. Isso representa um avanço real na detecção. Mas cria um novo problema: mais achados, mais complexidade e a necessidade de determinar quais realmente importam para aquele ambiente específico.

    O próximo desafio é construir a orquestração correta para transformar esses modelos em uma interface única que vá da detecção até a correção. Foi exatamente isso que a AWS se propôs a fazer ao criar o Continuum: reunir diferentes modelos e usar o mais eficaz para cada etapa do processo.

    A AWS também participa do Frontier Model Forum, um consórcio da indústria que desenvolve padrões de segurança compartilhados, métodos de avaliação e benchmarks para garantir que os modelos possam ser avaliados de forma eficaz. Além disso, a empresa trabalha com os provedores de modelos em benchmarks de desempenho de segurança para assegurar que o melhor modelo seja usado para cada tarefa dentro do Continuum e de outros produtos de segurança da AWS.

    O conceito de “harness”: o motor e tudo ao redor

    Para entender o Continuum, é importante compreender o que a AWS chama de harness — a camada de orquestração que envolve um modelo para conectá-lo a ferramentas, guardrails, memória e fluxos de trabalho, transformando-o em resultados concretos. A analogia usada pela própria AWS é direta: o modelo é o motor; o harness é tudo ao redor. Você precisa dos dois para ter um carro de alto desempenho.

    Esses harnesses estão ficando cada vez mais complexos. As equipes estão costurando múltiplos modelos, agentes que chamam outros agentes e fluxos de trabalho dinâmicos — tudo isso em um cenário de mudanças constantes. Esse nível de complexidade faz com que muitas organizações criem infraestruturas paralelas e não oficiais para gerenciar as camadas de integração entre modelos e ferramentas. Cada vez que o ecossistema muda, os controles de segurança e governança potencialmente quebram, forçando as equipes a revisitá-los.

    A AWS posiciona o gerenciamento dessa complexidade como um peso que ela mesma deve resolver. A empresa trata o harness como infraestrutura, aplicando o mesmo rigor usado em identidade, descoberta, aplicação de políticas, observabilidade e conformidade na infraestrutura central da AWS.

    Como o AWS Continuum funciona na prática

    O AWS Continuum para vulnerabilidades de código descobre vulnerabilidades, prioriza-as dentro do contexto do negócio do cliente, valida-as em um ambiente isolado (sandbox) e oferece correção em velocidade de máquina.

    Por baixo dos panos, o Continuum opera com uma arquitetura de loop de equipe de agentes — um harness sofisticado que orquestra tudo: seleção do modelo adequado, conexão com o ambiente do cliente e entrega de código seguro validado em contexto. O desenvolvedor não precisa se preocupar com como a orquestração funciona ou o que mudou na última versão.

    A integração com Anthropic e OpenAI

    A AWS está trabalhando com a Anthropic e a OpenAI para trazer o Continuum para os ambientes de desenvolvimento onde o código está sendo escrito. O funcionamento será o seguinte:

    • Dentro dos ambientes Claude Code, Codex e Kiro, varreduras de vulnerabilidades sob demanda identificam possíveis problemas e enviam os achados ao Continuum.
    • O Continuum prioriza esses achados dentro do contexto do ambiente AWS do cliente — considerando configurações, políticas do Gerenciamento de Identidade e Acesso da AWS (IAM), topologia de rede e superfícies de exposição.
    • Em seguida, valida os achados em um sandbox e retorna inteligência priorizada e contextualizada de volta ao assistente de código, que ajusta suas recomendações de acordo.

    Isso colapsa o que era tradicionalmente um processo de múltiplas etapas e múltiplas equipes — escrever, escanear, triar, priorizar, corrigir, reescanear — em um único resultado: a própria sugestão de código.

    Dois modos, um objetivo

    A solução opera em dois modos complementares:

    • Para código existente: use o Continuum para vulnerabilidades de código da AWS para descobrir, priorizar, validar e corrigir em todo o ambiente.
    • Para código novo (greenfield): use o plugin do Continuum dentro do Codex, Claude Code ou Kiro para receber sugestões com validação de segurança diretamente no ambiente de desenvolvimento.

    Parceiros de design que já testaram a solução relatam resultados concretos. Mike Johnson, CISO da Rivian, destacou que o AWS Continuum conecta o código-fonte ao conhecimento corporativo, permitindo que as equipes identifiquem com precisão vulnerabilidades de segurança e verifiquem se os problemas sinalizados são realmente relevantes — reduzindo o tempo até a correção de vulnerabilidades críticas.

    Disponibilidade

    O AWS Continuum para vulnerabilidades de código já está disponível em preview. É possível solicitar acesso diretamente pelo formulário de interesse do AWS Continuum. A integração do Continuum com os fluxos de trabalho do Claude Code, Codex e Kiro está prevista para breve.

    Fonte

    AWS partners with Anthropic and OpenAI to bring AWS Continuum into developer workflows (https://aws.amazon.com/blogs/security/aws-partners-with-anthropic-and-openai-to-bring-aws-continuum-into-developer-workflows/)

  • Amazon Cognito lança limites provisionados: ajuste de capacidade em minutos, não semanas

    O problema que todo time de identidade já enfrentou

    Imagine que sua empresa está se preparando para o maior evento de vendas do ano — uma Black Friday, uma virada de exercício fiscal, ou o pico de declarações de imposto de renda. Você precisa garantir que o serviço de autenticação vai aguentar o tranco. Aí você descobre que aumentar os limites de taxa do Amazon Cognito exige abrir um ticket de suporte e esperar entre 10 e 14 dias para a aprovação.

    Esse cenário foi realidade por muito tempo para equipes de segurança, arquitetos de identidade e times de engenharia que dependem do Cognito em produção. A necessidade de planejar com semanas de antecedência — ou correr para escalar uma solicitação urgente — criava um gargalo operacional considerável, especialmente para negócios com tráfego sazonal intenso.

    A AWS identificou esse problema e respondeu com uma mudança significativa: a partir de 6 de julho de 2026, o Amazon Cognito passou a oferecer os chamados limites provisionados (provisioned limits), um mecanismo de autoatendimento que permite ajustar a capacidade de autenticação em minutos, diretamente pelo console.

    O que são os limites provisionados

    Os limites provisionados são uma nova camada de controle de capacidade disponível na aba Provisioned limits dentro do console do Amazon Cognito, no nível de conta (por Região AWS, por conta). Com esse recurso, é possível aumentar ou reduzir a capacidade provisionada sob demanda, com efeito imediato.

    O modelo funciona com dois mecanismos complementares:

    • Limite provisionado (console do Amazon Cognito): controla a capacidade que você reserva ativamente. Alterações entram em vigor imediatamente. A cobrança ocorre sobre a capacidade provisionada acima do limite padrão, independentemente do quanto é efetivamente consumido.
    • Limite máximo de conta (console do AWS Service Quotas): define o teto máximo de Requisições por Segundo (RPS) que sua conta pode provisionar. Elevar esse teto não gera cobrança adicional — ele apenas desbloqueia a possibilidade de provisionar mais capacidade.

    Juntos, esses dois controles oferecem precisão tanto na gestão de custos quanto na gestão de capacidade. Você pode subir o teto com antecedência, sem custo, e só ativar a capacidade extra quando realmente precisar.

    Imagem original — fonte: Aws

    Como os três valores funcionam juntos

    Para entender a lógica do modelo, vale usar o exemplo da API UserCreation, que tem limite padrão de 50 RPS. No estado inicial, você tem três valores:

    • Limite padrão: 50 RPS (incluso sem custo adicional)
    • Limite provisionado: 50 RPS (igual ao padrão — capacidade faturada é 0)
    • Limite máximo de conta: 50 RPS (teto atual da conta)

    Se você tentar provisionar 55 RPS diretamente, o console bloqueará a ação, pois o valor excede o teto máximo de 50 RPS. Para avançar, é necessário primeiro solicitar um aumento do limite máximo de conta via Service Quotas. Aproximadamente 90% dessas solicitações são aprovadas automaticamente em minutos. Para aumentos maiores, dependendo da categoria de API e da Região, pode ser necessária revisão manual pelo suporte da AWS.

    Após a aprovação do novo teto (digamos, 55 RPS), você retorna ao console do Cognito e ajusta o limite provisionado para 55 RPS. A partir daí, a capacidade faturada passa a ser de 5 RPS (55 menos os 50 do padrão). Quando o evento de pico termina, basta reduzir o limite provisionado de volta ao padrão — a cobrança extra cessa imediatamente.

    Um detalhe importante sobre o modelo de cobrança: você é cobrado pela capacidade que provisiona acima do padrão, e não pelo que efetivamente usa. Se você provisionar 80 RPS (com padrão de 50), será cobrado por 30 RPS mesmo que o uso real seja de apenas 60 RPS. Isso reforça a importância de dimensionar a capacidade com precisão, alinhada à demanda esperada.

    Categorias ajustáveis e não ajustáveis

    Nem todas as categorias de API do Cognito podem ter seus limites ajustados. A aba de limites provisionados exibe cada categoria com seu status de ajustabilidade. Por exemplo, UserCreation é marcada como Adjustable (ajustável) e pode ser modificada. Já UserList aparece como Not adjustable (não ajustável) — você consegue visualizar os valores de limite padrão e provisionado, mas não pode alterá-los.

    Para as categorias ajustáveis, a visão consolidada mostra o limite padrão, o limite provisionado atual e a capacidade faturada de forma direta, facilitando o acompanhamento e a tomada de decisão.

    Casos de uso práticos

    A flexibilidade do novo modelo atende a cenários bem variados. Serviços de declaração de imposto de renda, por exemplo, concentram cerca de 90% do volume anual de autenticação em poucos meses. Plataformas de e-commerce enfrentam picos intensos em datas comemorativas. Antes, essas equipes precisavam solicitar aumentos de capacidade semanas antes do evento e torcer para que a aprovação chegasse a tempo.

    Agora, o fluxo muda completamente: eleve o teto máximo de conta com antecedência (sem custo), e quando o pico se aproximar, aumente o limite provisionado para o valor necessário. Após o evento, reduza a capacidade e pare de ser cobrado pela capacidade extra. Tudo isso sem abrir um único ticket de suporte.

    O mesmo vale para testes de carga planejados ou para crescimento viral inesperado — qualquer ajuste é feito em autoatendimento, em minutos.

    Considerações para SaaS multi-tenant

    Para provedores de Software como Serviço (SaaS) que gerenciam múltiplos tenants com requisitos de throughput diferentes, a AWS disponibilizou também a API UpdateProvisionedLimit, que permite o gerenciamento programático dos limites provisionados.

    Equipes que utilizam user pools dedicados por tenant, por exemplo, podem integrar essa API em seus pipelines de infraestrutura como código para ajustar os limites por tier de serviço. Isso abre a possibilidade de provisionar maior capacidade para tenants enterprise e menor capacidade para tenants em plano gratuito, com ajustes independentes por tenant conforme a demanda de cada um.

    Como começar

    O recurso de limites provisionados para user pools do Amazon Cognito está disponível desde 6 de julho de 2026, em todas as Regiões AWS onde o Cognito é suportado. Para colocar em prática, a AWS recomenda o seguinte fluxo:

    • Revise os padrões atuais de tráfego de autenticação usando métricas do Amazon CloudWatch para entender sua linha de base
    • Configure alarmes no CloudWatch em 70% e 85% dos seus limites de taxa atuais
    • Verifique se sua equipe tem as permissões adequadas de Gerenciamento de Identidade e Acesso da AWS (IAM) tanto para o Service Quotas quanto para a aba de limites provisionados no console do Cognito
    • Eleve o limite máximo de conta no Service Quotas com base nas suas expectativas de demanda
    • Use a aba Provisioned limits no console do Amazon Cognito para ajustar a capacidade conforme necessário

    Recursos adicionais

    Fonte

    From 2 weeks to 2 minutes: Amazon Cognito launches Provisioned limits for self-service rate limit management (https://aws.amazon.com/blogs/security/from-2-weeks-to-2-minutes-amazon-cognito-launches-provisioned-limits-for-self-service-rate-limit-management/)

  • Pacotes de conformidade PCI DSS e PCI 3DS da AWS para a Primavera de 2026 já estão disponíveis

    AWS renova certificações PCI e expande escopo de serviços e regiões

    A Amazon Web Services (AWS) anunciou a conclusão bem-sucedida da renovação de suas certificações de Padrão de Segurança de Dados da Indústria de Cartões de Pagamento (PCI DSS) e de Segurança em Três Domínios (PCI 3DS). Além da renovação em si, a AWS ampliou o escopo desta certificação, incluindo três novos serviços e uma nova região.

    O que foi adicionado ao escopo

    Novos serviços certificados

    Nova região incluída

    • Ásia-Pacífico – Nova Zelândia

    Com essa expansão, clientes que utilizam esses serviços podem continuar operando dentro dos requisitos de conformidade PCI DSS e PCI 3DS, sem precisar abrir mão de inovação por conta de restrições regulatórias. A lista completa de serviços cobertos pode ser consultada na página de serviços no escopo por programa de conformidade da AWS.

    O que compõe os pacotes de conformidade

    Os pacotes de conformidade PCI DSS e PCI 3DS disponibilizados pela AWS incluem dois componentes principais para cada certificação:

    • Atestado de Conformidade (AOC) – documento que comprova que a AWS foi validada com sucesso em relação aos padrões PCI DSS e PCI 3DS.
    • Resumo de Responsabilidades da AWS – material que orienta os clientes a entenderem suas próprias responsabilidades ao desenvolver e operar ambientes seguros na AWS para o tratamento de dados de cartões de pagamento.

    A avaliação foi conduzida pela Coalfire, empresa terceirizada credenciada como Avaliadora de Segurança Qualificada (QSA).

    Como acessar os relatórios

    Os pacotes de relatórios PCI DSS e PCI 3DS estão disponíveis pelo AWS Artifact, portal de autoatendimento da AWS que oferece acesso sob demanda a relatórios de conformidade, facilitando processos de auditoria.

    Para saber mais sobre os programas PCI e outras iniciativas de conformidade e segurança da AWS, acesse a página de Programas de Conformidade da AWS. Em caso de dúvidas relacionadas à conformidade, a AWS disponibiliza o canal de suporte de conformidade.

    Fonte

    Spring 2026 PCI DSS and PCI 3DS compliance packages for AWS now available (https://aws.amazon.com/blogs/security/spring-2026-pci-dss-and-pci-3ds-compliance-packages-for-aws-now-available/)

  • AWS Security Hub Extended adiciona segurança de cadeia de suprimentos como sua 10ª categoria

    Nova categoria no Security Hub Extended: segurança de cadeia de suprimentos

    A AWS anunciou a adição de uma nova categoria ao plano Security Hub Extended: a segurança de cadeia de suprimentos (Supply Chain Security). Essa é a 10ª categoria do plano, e os parceiros curados escolhidos para essa frente são a Chainguard e a Socket. Com essa expansão, o plano passa a contar com 23 soluções de parceiros curados integradas em um único ambiente.

    Por que isso importa para equipes de desenvolvimento e segurança

    À medida que os times de desenvolvimento adotam bibliotecas de código aberto em larga escala, cresce também a preocupação das equipes de segurança com a confiabilidade dos pacotes que entram nos ambientes de produção. A questão central é simples, mas crítica: como garantir que uma dependência de terceiros não carrega código malicioso embutido?

    Com a nova categoria de Supply Chain Security, o Security Hub Extended passa a oferecer a capacidade de detectar e bloquear dependências maliciosas antes que sejam incorporadas às aplicações. Ou seja, o problema é tratado na origem — ainda na fase de build — e não apenas após um incidente.

    Como funciona o modelo do Security Hub Extended

    O AWS Security Hub Extended é um plano dentro do AWS Security Hub que centraliza a contratação, o deploy e a integração de uma solução de segurança corporativa completa. Ele cobre múltiplas camadas: endpoint, identidade, e-mail, rede, dados, navegador, nuvem, inteligência artificial (IA), operações de segurança e, agora, cadeia de suprimentos.

    Todos os achados de segurança (findings) gerados pelas soluções participantes são emitidos no padrão Open Cybersecurity Schema Framework (OCSF) e agregados automaticamente no AWS Security Hub. Isso significa que equipes de segurança têm uma visão consolidada de riscos que cruzam diferentes fronteiras tecnológicas, sem precisar alternar entre ferramentas distintas.

    O modelo de contratação também é um diferencial: todas as soluções aparecem em uma única fatura da AWS, com precificação pay-as-you-go (pague pelo uso) e sem necessidade de compromissos de longo prazo — o mesmo modelo já aplicado nas demais categorias do plano Extended.

    Disponibilidade e próximos passos

    As duas novas soluções curadas — Chainguard e Socket — já estão disponíveis em todas as regiões comerciais da AWS onde o Security Hub opera. Para verificar quais regiões são suportadas, consulte a tabela de regiões da AWS.

    Para detalhes sobre preços, acesse a página de preços do AWS Security Hub. Para começar a usar, você pode acessar diretamente o console do AWS Security Hub ou visitar a página do produto.

    A AWS sinalizou que continuará expandindo o plano Extended com base no feedback dos clientes, o que indica que novas categorias devem surgir ao longo do tempo.

    Fonte

    AWS Security Hub Extended adds supply chain security as its 10th category (https://aws.amazon.com/about-aws/whats-new/2026/08/aws-security-hub-extended-adds-supply-chain-security)

  • AWS Network Firewall ganha funcionalidade de proxy explícito — entenda o que muda

    O que foi anunciado

    A AWS anunciou, em pré-visualização pública, a reintrodução do proxy explícito como uma funcionalidade integrada ao AWS Network Firewall — e não mais como um produto separado. Com isso, equipes de segurança podem usar uma única política de firewall para controlar tanto o tráfego via proxy explícito quanto via firewall transparente.

    Por que isso é relevante: o histórico da mudança

    Em novembro de 2025, a AWS havia lançado o Network Firewall proxy em prévia pública como um produto standalone, com sua própria política de segurança separada. Na prática, isso criava um problema real: quem já usava o Network Firewall precisava manter duas políticas distintas, duplicando esforço de gestão e abrindo espaço para inconsistências de configuração.

    O feedback dos clientes que testaram a versão anterior foi claro — eles queriam paridade de capacidades e uma política unificada. A AWS ouviu e redesenhou a abordagem.

    Como funciona agora

    Com o novo modelo, é possível configurar o AWS Network Firewall em um modo de implantação chamado no-source-preservation (sem preservação de origem), que permite ao serviço atuar como proxy explícito. Nessa configuração, todas as funcionalidades já existentes do Network Firewall continuam disponíveis, incluindo:

    • Grupos de regras gerenciadas
    • Defesa ativa contra ameaças
    • Filtragem por Geo-IP
    • Filtragem por URL e categoria de domínio
    • Regras baseadas em atributos de contêiner para Amazon EKS (Elastic Kubernetes Service) e Amazon ECS (Elastic Container Service)

    O ponto central é que a mesma política de segurança pode ser aplicada tanto para o proxy explícito quanto para o firewall transparente — eliminando a necessidade de manter configurações duplicadas.

    Disponibilidade e custo durante a prévia

    O recurso está disponível para testes na região US East (Ohio). Durante o período de pré-visualização pública, o Network Firewall no modo no-source-preservation é oferecido gratuitamente. Para mais detalhes técnicos sobre como configurar e implantar, a AWS disponibiliza a documentação oficial do Network Firewall no modo no-source-preservation.

    O que isso significa na prática

    Para times de segurança e arquitetos de rede que já utilizam o AWS Network Firewall, essa mudança simplifica bastante a operação. Em vez de gerenciar dois produtos com políticas independentes, passa a existir um único ponto de controle centralizado — o que facilita auditorias, reduz superfície de erro e mantém consistência nas regras de bloqueio contra exfiltração de dados e injeção de malware.

    Vale testar o recurso em ambiente de desenvolvimento ou homologação antes de considerar qualquer adoção em produção, especialmente por se tratar ainda de uma prévia pública.

    Fonte

    [Preview Announcement] Re-introducing Forward Proxy as AWS Network Firewall Functionality (https://aws.amazon.com/about-aws/whats-new/2026/08/aws-network-firewall-forward-proxy-preview/)

  • AWS Transform com Modernização Contínua agora está disponível para todos

    O que foi anunciado

    A AWS anunciou que o recurso de modernização contínua do AWS Transform chegou à disponibilidade geral em todas as Regiões AWS onde o AWS Transform é suportado. Trata-se de uma capacidade voltada para equipes de engenharia que precisam identificar e corrigir dívida técnica em repositórios de código-fonte em larga escala.

    O que o recurso oferece

    Com a modernização contínua, as equipes conseguem conectar organizações do GitHub, grupos do GitLab e workspaces do Bitbucket diretamente ao serviço. A partir daí, é possível executar análises sob demanda ou em agendamentos recorrentes, além de priorizar os achados com base em diferentes critérios:

    • Dívida técnica
    • Segurança
    • Prontidão para agentes (agentic readiness)
    • Prontidão para modernização
    • Critérios de análise personalizados

    Como funciona na prática

    Toda a experiência pode ser gerenciada diretamente pela aplicação web do AWS Transform: conexão com provedores de código-fonte, início e agendamento de análises, revisão dos achados e criação de remediações — tudo em um só lugar.

    Para achados que possuem uma remediação associada, o serviço cria branches automaticamente e abre pull requests ou merge requests com as alterações de código validadas, prontas para revisão da equipe. Um ponto importante: as análises e remediações rodam na própria conta AWS do cliente, usando as credenciais do usuário, enquanto o código-fonte permanece sob controle da equipe — sem transferência de dados para ambientes externos.

    Opções para desenvolvedores

    Além da interface web, a AWS também disponibiliza outras formas de trabalhar com o recurso. Por meio do AWS Transform Kiro Power e plugins de agente, ou ainda pelo AWS Transform CLI, os desenvolvedores podem:

    • Trabalhar diretamente da IDE ou do terminal
    • Analisar repositórios locais
    • Organizar repositórios com labels
    • Executar análises localmente ou remotamente, utilizando Amazon EC2 ou AWS Batch

    Como começar

    Para explorar o recurso, a AWS indica duas opções de entrada: abrir a aplicação web do AWS Transform ou utilizar o AWS Transform Kiro Power e os plugins de agente. A documentação completa está disponível no guia de usuário do AWS Transform, na seção dedicada à modernização contínua.

    Fonte

    AWS Transform continuous modernization is now generally available (https://aws.amazon.com/about-aws/whats-new/2026/7/aws-transform-continuous-general-available)

  • Regra de Segurança HIPAA na AWS: Guia de Implementação das Salvaguardas Técnicas

    A AWS publica guia técnico de conformidade HIPAA para workloads de saúde

    A AWS acaba de disponibilizar o documento Guia de Implementação e Prontidão das Salvaguardas Técnicas da Regra de Segurança HIPAA na AWS, voltado para entidades cobertas e associados de negócios que constroem workloads de saúde na nuvem. O material oferece orientações práticas sobre como configurar, implementar e evidenciar conformidade com os requisitos de Salvaguardas Técnicas da Regra de Segurança HIPAA, definidos na seção 45 CFR §164.312.

    Para equipes brasileiras que atuam com sistemas de saúde hospedados na AWS — seja em projetos para clientes norte-americanos ou em organizações com obrigações regulatórias equivalentes — esse guia é uma referência técnica de alto valor.

    O que são as Salvaguardas Técnicas da HIPAA?

    A seção §164.312 da Regra de Segurança HIPAA define cinco padrões e nove especificações de implementação que cobrem as seguintes áreas:

    • Controle de acesso — quem pode acessar as Informações de Saúde Eletrônicas Protegidas (ePHI)
    • Controles de auditoria — registro e monitoramento de acessos e atividades
    • Integridade — garantia de que os dados não foram alterados indevidamente
    • Autenticação — verificação da identidade de usuários e sistemas
    • Segurança de transmissão — proteção dos dados em trânsito

    Essas salvaguardas formam o núcleo técnico da conformidade HIPAA e são o foco central do guia publicado pela AWS.

    O que o guia cobre?

    Responsabilidade compartilhada para HIPAA na AWS

    Um dos pontos mais práticos do documento é a matriz de responsabilidade compartilhada, que mapeia cada especificação da §164.312 indicando o que a AWS gerencia por padrão e o que o cliente precisa configurar e operar por conta própria. Essa divisão clara é fundamental para que as equipes de conformidade saibam exatamente onde focar seus esforços.

    Arquitetura de fronteira para ePHI

    O guia orienta como estabelecer uma fronteira definida para os dados de ePHI dentro do ambiente AWS, ajudando as equipes a delimitar com precisão quais recursos e fluxos de dados estão no escopo da conformidade HIPAA.

    Fluxo de dados e criptografia de ePHI

    É apresentada uma arquitetura de referência que rastreia o fluxo das Informações de Saúde Eletrônicas Protegidas (ePHI) e associa cada etapa à especificação correspondente da §164.312. Isso facilita muito a visualização de onde aplicar criptografia e outros controles técnicos.

    Checklist de fundação

    Antes de configurar os controles individuais de Salvaguardas Técnicas, o documento recomenda um conjunto de pré-requisitos essenciais. Esse checklist de fundação serve como ponto de partida para garantir que a base do ambiente está corretamente estruturada.

    As mudanças propostas pelo NPRM de 2025

    O guia também cobre as atualizações propostas pelo Aviso de Proposta de Regulamentação (NPRM) publicado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS) em janeiro de 2025. As mudanças propostas são significativas e incluem:

    • Criptografia em repouso e em trânsito passando de recomendada para obrigatória
    • Autenticação Multifator (MFA) tornando-se obrigatória para todos os acessos a ePHI
    • Novos requisitos para segmentação de rede
    • Especificações para gerenciamento de configuração
    • Obrigações de proteção contra malware
    • Requisitos de gerenciamento de patches
    • Regras para remoção de software
    • Atualizações em resposta a incidentes e notificação de violações

    É importante destacar que, até junho de 2026, a regra final ainda não havia sido publicada. O guia da AWS cobre tanto a regra atual quanto as mudanças propostas, e recomenda tratar todas as especificações como obrigatórias para novos workloads — uma postura de conformidade proativa que faz bastante sentido para quem está construindo sistemas agora.

    Outro ponto relevante das propostas é a eliminação da distinção entre especificações “Endereçáveis” e “Obrigatórias” — atualmente, algumas salvaguardas permitem alternativas ou justificativas para não implementação. Com a nova regra, esse espaço de flexibilidade seria eliminado, e o inventário de ativos também se tornaria obrigatório.

    Para quem é esse guia?

    O documento foi escrito para arquitetos de nuvem, engenheiros de segurança, CISOs e equipes de conformidade em entidades cobertas e associados de negócios que constroem ou operam workloads de saúde na AWS. O guia pressupõe familiaridade com os serviços AWS e se posiciona como uma referência prática de implementação — não como interpretação jurídica ou regulatória.

    Vale reforçar: o foco é exclusivamente nas Salvaguardas Técnicas. Para dúvidas sobre Salvaguardas Administrativas, Salvaguardas Físicas, análise de risco e preparação para avaliações, a AWS indica o contato com a equipe do AWS Security Assurance Services ou com o representante de conta AWS.

    Quem produziu o guia?

    O material foi produzido pelo AWS Security Assurance Services, LLC, empresa credenciada como Avaliador Externo HITRUST e QSAC de PCI, com contribuições das equipes de HCLS e Conformidade da AWS. O documento é fornecido para fins informativos e de orientação, e não constitui aconselhamento jurídico, regulatório ou de conformidade — sendo responsabilidade de cada organização determinar sua aplicabilidade ao ambiente específico.

    Como acessar

    O guia está disponível para download direto: Baixe o Guia de Implementação das Salvaguardas Técnicas HIPAA na AWS.

    Fonte

    HIPAA Security Rule on AWS – Technical Safeguards Implementation and Readiness Guidance (https://aws.amazon.com/blogs/security/hipaa-security-rule-on-aws-technical-safeguards-implementation-and-readiness-guidance/)

  • IAM Policy Simulator migra para o console do IAM e ganha novas capacidades

    O que mudou no IAM Policy Simulator

    A Gerenciamento de Identidade e Acesso da AWS (IAM) acaba de anunciar uma atualização significativa no IAM Policy Simulator, a ferramenta utilizada para testar e validar as permissões concedidas pelas políticas do IAM antes de colocá-las em produção. A novidade traz três mudanças principais que afetam diretamente o dia a dia de times de segurança e plataforma.

    As três grandes mudanças

    1. O simulador agora vive dentro do console do IAM

    Até então, o IAM Policy Simulator funcionava como um site separado, desconectado da experiência principal. Com essa atualização, ele passa a fazer parte do próprio console do IAM, substituindo o site standalone. Na prática, isso significa que agora é possível testar políticas no mesmo lugar onde as identidades e permissões são gerenciadas — sem precisar alternar entre ferramentas diferentes.

    2. Suporte a SCPs (Políticas de Controle de Serviço)

    Uma das adições mais relevantes é a possibilidade de incluir SCPs (Service Control Policies — Políticas de Controle de Serviço) nas simulações. Com isso, é possível testar como a hierarquia de SCPs de uma organização interage com as políticas de identidade e de recursos. Além disso, via API, agora é possível verificar como chaves de condição — como restrições de região e requisitos de tags — afetam o resultado final de uma permissão.

    3. Mais flexibilidade para modelar cenários reais

    O simulador ganhou também maior flexibilidade para cobrir cenários que times de segurança e plataforma enfrentam na prática. Entre as novidades estão:

    • A possibilidade de excluir políticas específicas da simulação, permitindo modelar o cenário “o que acontece se eu remover esta política?”
    • Em simulações entre contas (cross-account), o simulador agora reporta decisões por política para políticas baseadas em identidade e em recursos, com as declarações correspondentes retornadas para uma solicitação negada refletindo apenas as políticas que de fato influenciaram a decisão.

    Por que isso importa para times de segurança

    Em conjunto, essas mudanças ajudam as equipes a automatizar testes unitários de políticas, detectar acessos excessivamente permissivos e validar guardrails com mais confiança. Trata-se de uma evolução importante para quem precisa garantir que as permissões estejam corretas antes de qualquer implantação em ambiente produtivo.

    Disponibilidade e acesso

    As novas funcionalidades estão disponíveis em todas as regiões da AWS onde o IAM Policy Simulator já era suportado. Para acessá-lo, basta abrir o console do IAM e selecionar Policy simulator no painel de navegação.

    Para aprofundar o conhecimento, a AWS disponibiliza os seguintes recursos de documentação:

    Fonte

    IAM Policy Simulator moves to the IAM console and adds additional capabilities (https://aws.amazon.com/about-aws/whats-new/2026/07/iam-policy-simulator-iam-console/)

  • Velocidade e segurança com agentes de IA: um framework de controle para times de desenvolvimento

    O desafio de escalar segurança com agentes de IA

    Agentes de IA para programação — como o Kiro e o Claude Code — já fazem parte do dia a dia de muitos times de desenvolvimento. Com um simples prompt em linguagem natural, eles geram funcionalidades, escrevem testes e refatoram código. Em uma tarde, um único agente pode abrir dezenas de pull requests em diferentes repositórios.

    Essa produtividade tem um custo: os agentes otimizam para completar tarefas na velocidade de uma máquina, sem qualquer compreensão do perfil de risco da organização. Além disso, por meio de protocolos como o Protocolo de Contexto de Modelo (MCP), eles ultrapassam os limites da IDE — chamando APIs, consultando bancos de dados e modificando infraestrutura inteira.

    Para endereçar esse cenário, a AWS publicou um framework de controle de segurança de aplicações (AppSec) voltado especificamente para agentes de IA em desenvolvimento de software. O framework se organiza em dois pilares: controles no momento de autoria, que moldam o que o agente produz dentro da IDE, e controles no momento do build, que verificam e bloqueiam o que chega à produção. Os controles existentes do Ciclo de Vida de Desenvolvimento de Software Seguro (SDLC) continuam válidos e são peça central de uma estratégia de defesa em profundidade.

    Os principais riscos identificados

    O framework identifica sete categorias de risco, ordenadas por severidade:

    • R001 — Injeção de prompt e de contexto: agentes leem conteúdo não confiável (descrições de issues, páginas web, respostas MCP, arquivos README de pacotes de terceiros). Esse conteúdo pode redirecionar o agente para divulgar segredos ou invocar ferramentas sem consentimento. É o risco número um do OWASP Top 10 para Aplicações com Modelos de Linguagem (LLM). O tratamento recomendado é separar o agente que orquestra ações confiáveis daquele exposto a conteúdo não confiável, aplicando acesso mínimo de somente leitura ao segundo, e exigindo aprovação humana para ações irreversíveis.
    • R002 — Divulgação inadvertida de dados e configurações permissivas: agentes tendem a gerar políticas com permissões amplas demais, grupos de segurança abertos, armazenamento sem criptografia ou credenciais embutidas no código. O tratamento envolve documentos de steering com requisitos de segurança e varredura de política como código (Checkov, cfn-nag) na IDE e no pipeline.
    • R003 — Mudanças não controladas chegando à produção: a geração em velocidade de máquina pode propagar um padrão falho por vários repositórios antes de ser identificado. O tratamento inclui regras de proteção de branch, revisão humana obrigatória em pull requests e execuções de agente em sandbox.
    • R004 — Riscos na cadeia de suprimentos: agentes podem recomendar pacotes depreciados, referenciar versões com Vulnerabilidades e Exposições Comuns (CVEs) conhecidas ou até “alucinar” nomes de pacotes inexistentes. O tratamento é Análise de Composição de Software (SCA) no pipeline — por exemplo, com o Amazon Inspector ou Dependabot — e resolução de dependências via um registro controlado como o AWS CodeArtifact.
    • R005 — Acesso externo não controlado: sem restrições sobre quais ferramentas e dados o agente pode acessar via MCP, uma única integração mal configurada abre caminho para recursos sensíveis. O tratamento é escopar os servidores MCP ao mínimo necessário e auditar as invocações de ferramentas.
    • R006 — Alucinações e código incorreto: código que compila, passa no linting e parece razoável ainda pode estar funcionalmente errado — misusando APIs, introduzindo erros lógicos sutis ou implementando operações sensíveis de segurança de forma incorreta. O tratamento é combinar verificação determinística (Teste de Segurança de Aplicações Estático — SAST, testes unitários) com revisão não determinística (LLM como revisor).
    • R007 — Expansão de escopo: dado um prompt de correção de bug, o agente pode também refatorar código ao redor, desabilitar um teste instável ou reorganizar imports. O tratamento é um documento de especificação que define o que deve mudar e o que não deve.

    Controles determinísticos versus não determinísticos

    O framework diferencia dois tipos de mitigação:

    • Mitigações determinísticas [D] produzem o mesmo resultado toda vez. Linters, scanners SAST, detecção de segredos e política como código definem invariantes de segurança — sem credenciais hardcoded, sem políticas IAM com wildcard. Use quando a condição pode ser expressa como uma regra.
    • Mitigações não determinísticas [ND] usam o julgamento do modelo. Incluem documentos de steering, revisão por LLM e verificação de conformidade com especificações. Capturam problemas que as regras deixam passar, mas são probabilísticas. São a nova camada que o código gerado por IA exige — porque um agente pode produzir código que passa em todos os testes determinísticos e ainda assim estar funcionalmente errado.
    • Revisão humana [H] é a camada final para decisões que nenhum dos dois tipos de ferramenta consegue tomar. O ponto importante é: aplique onde o julgamento é realmente necessário, não em tudo. Rotear tudo para um humano gera fadiga de consentimento, onde revisores aprovam por reflexo e o controle perde valor.

    Pilar 1: Controles no momento de autoria

    Os controles de autoria atuam dentro da IDE, antes e logo após a geração do código.

    Contexto como controle de segurança [ND]

    Times de segurança escrevem invariantes de segurança como orientações em linguagem natural em um documento de steering — por exemplo: políticas IAM devem seguir o princípio do menor privilégio; credenciais devem vir do AWS Secrets Manager; grupos de segurança não podem permitir acesso irrestrito. Esse arquivo é carregado no contexto do agente no início de cada sessão, fazendo com que ele gere código com esses padrões por padrão. O steering reduz o volume de problemas que chegam ao pipeline, mas não substitui as verificações posteriores.

    Especificações como limites de escopo [ND]

    Antes de gerar código, exige-se uma especificação revisada que define o que deve mudar e o que não deve. Fluxos orientados por especificação criam um ponto de revisão humana na fase de design. Para correções de bug, a especificação inclui uma lista explícita de comportamentos que devem continuar funcionando — um limite escrito contra a expansão de escopo.

    Acesso controlado a ferramentas via MCP [D + ND]

    Servidores MCP atuam como gateways controlados entre o agente e ferramentas externas. O framework recomenda escopar cada servidor MCP ao conjunto mínimo de ferramentas necessárias e fornecer uma credencial dedicada com permissões reduzidas — não as credenciais do próprio desenvolvedor. Evite autoApprove: ["*"], que remove a aprovação humana em todas as chamadas de ferramentas. Consulte a documentação de configuração de MCP do Kiro para detalhes de implementação.

    Varredura de código na IDE [D]

    Análise estática em tempo real captura erros de sintaxe, incompatibilidades de tipo e problemas de configuração enquanto o desenvolvedor ainda tem contexto completo. Extensões focadas em segurança (plugins ESLint de segurança, Checkov, SAST) adicionam feedback imediato — uma política IAM malformada é sinalizada antes que o agente continue construindo sobre ela.

    Hooks: guardrails automáticos no ponto de ação [D + ND]

    Hooks de shell são disparados ao salvar arquivos e executam verificações determinísticas (linters, formatadores, scanners de segurança). Hooks baseados em IA são disparados ao completar tarefas e verificam se a implementação corresponde à especificação, se há casos extremos não testados e se arquivos foram modificados fora do escopo da tarefa.

    Pilar 2: Controles no momento do build

    Os controles de build rodam no pipeline após o commit do código e antes de chegar à produção.

    Varredura de segurança em camadas [D]

    A sequência recomendada é: detecção de segredos primeiro (mais barata, alta severidade), depois SAST, depois SCA e por fim varredura de Infraestrutura como Código (IaC). A varredura de IaC valida templates do AWS CloudFormation, Terraform e AWS CDK contra políticas de segurança antes do deploy. Cada etapa interrompe o pipeline em caso de falha. Os resultados são exportados no formato Formato de Intercâmbio de Resultados de Análise Estática (SARIF) para auditoria de conformidade. O projeto open source Automated Security Helper (ASH) agrupa scanners de segredos, SAST, SCA e IaC em um único comando executável localmente e no AWS CodeBuild.

    Quality gates [D]

    Gates de qualidade convertem resultados de varredura em decisões de prosseguir ou não. Defina limites por severidade: bloquear em achados críticos, exigir justificativa para altos, rastrear médios. A regra é determinística: se um limite é violado, o pipeline para. Diferencie modos bloqueante e consultivo — falhas duras na branch principal, consultivas em branches de feature.

    Revisão assistida por IA [ND]

    Um revisor LLM faz a triagem de cada pull request antes da revisão humana, verificando conformidade com a especificação, expansão de escopo e padrões de segurança que passam no SAST mas violam a intenção. O AWS Security Agent (revisão de código em preview no momento da publicação) verifica pull requests contra requisitos de segurança gerenciados pela AWS e personalizados. Um princípio crítico: o agente que escreveu o código não deve ser o mesmo que o revisa. Onde possível, use um modelo diferente para revisão — dois modelos iguais podem compartilhar os mesmos pontos cegos sistemáticos.

    Revisão humana no loop [ND + H]

    Exija aprovação humana na maioria dos pull requests, especialmente os que tocam código sensível a segurança ou de alto impacto. Escale a profundidade da revisão ao risco da mudança: mudanças de baixo risco podem ter revisão mais leve; mudanças de lógica nova ou sensível exigem revisão profunda e um segundo revisor. Posicione dois gates de aprovação: após as varreduras de segurança e antes do deploy em produção. Trate a revisão humana como controle secundário — revisores são não determinísticos e também podem deixar passar problemas.

    Implementando na AWS

    O framework é agnóstico de ferramenta, mas a AWS fornece blocos de construção diretos para cada pilar:

    Por onde começar

    A AWS sugere três passos iniciais:

    • Comece com steering e especificações — encode requisitos de segurança como steering e use especificações para novas funcionalidades. Maior impacto, menor esforço. O projeto open source Project CodeGuard (iniciativa da Coalition for Secure AI sob a OASIS Open, da qual a Amazon é membro contribuinte) publica regras de steering reutilizáveis para classes de risco comuns — credenciais hardcoded, misconfigurações de IaC, cadeia de suprimentos e segurança MCP.
    • Adicione gates determinísticos no pipeline — integre SAST, SCA e detecção de segredos. São controles básicos independentemente do uso de IA.
    • Calibre e itere — revise o que os controles estão capturando, ajuste o steering para problemas recorrentes e expanda a autonomia do agente conforme a confiança cresce.

    Um ponto central do framework: desenvolvedores continuam responsáveis pela segurança do que entregam. Agentes de IA aceleram o desenvolvimento; eles não transferem a responsabilidade.

    Recursos adicionais

    Fonte

    Balancing speed and safety: A control framework for AI coding agents (https://aws.amazon.com/blogs/security/balancing-speed-and-safety-a-control-framework-for-ai-coding-agents/)