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  • AWS anuncia disponibilidade geral da próxima geração do AWS Resilience Hub

    Nova geração do AWS Resilience Hub chega com IA generativa e visibilidade organizacional

    A AWS anunciou a disponibilidade geral da próxima geração do AWS Resilience Hub, serviço centralizado no console da AWS que auxilia equipes de engenharia de plataforma e de confiabilidade de sites (SRE — Site Reliability Engineering) a avaliar e fortalecer a resiliência de cargas de trabalho críticas na nuvem.

    O que há de novo

    Esta atualização representa uma evolução significativa em relação à experiência anterior do Resilience Hub. Entre as principais novidades estão:

    • Novo modelo de aplicação: as aplicações agora são modeladas em uma hierarquia de três níveis — sistemas, jornadas de usuário e serviços — refletindo diretamente como essas aplicações entregam valor ao negócio.
    • Descoberta de dependências: avaliações automáticas mantêm visibilidade atualizada sobre os serviços da AWS, endpoints internos e endpoints de terceiros dos quais cada serviço depende.
    • Análise de modos de falha com IA generativa: uma avaliação baseada em IA generativa analisa os serviços em relação às melhores práticas do AWS Well-Architected, ao AWS Resilience Analysis Framework e às políticas de resiliência da organização, gerando recomendações priorizadas e acionáveis.
    • Políticas de resiliência modulares: permitem que as equipes centrais definam e apliquem padrões de resiliência de forma flexível.
    • Relatórios em nível organizacional: a integração com o AWS Organizations permite que equipes centrais definam políticas de resiliência e monitorem a postura de resiliência em todas as contas e regiões a partir de um único painel.

    Regiões disponíveis

    A próxima geração do AWS Resilience Hub já está disponível nas seguintes regiões da AWS: US East (N. Virginia), US East (Ohio), US West (Oregon), Canada (Central), Europe (Ireland), Europe (London), Europe (Frankfurt), Europe (Paris), Europe (Stockholm), Asia Pacific (Mumbai), Asia Pacific (Singapore), Asia Pacific (Sydney), Asia Pacific (Tokyo), Asia Pacific (Seoul) e South America (São Paulo) — boa notícia para times brasileiros que operam nessa região.

    E os clientes atuais?

    Quem já utiliza o AWS Resilience Hub pode continuar usando a experiência atual normalmente. A migração para a nova geração é opcional e pode ser feita no próprio ritmo de cada equipe. Para quem quiser fazer essa transição, há um guia de migração disponível na documentação oficial.

    Como começar

    Para explorar a nova geração do serviço, acesse diretamente o console da AWS. Mais detalhes sobre funcionalidades e casos de uso estão disponíveis na página do produto e no AWS News Blog.

    Fonte

    AWS announces general availability of the next generation of AWS Resilience Hub (https://aws.amazon.com/about-aws/whats-new/2026/05/aws-announces-next-gen-aws-resilience-hub/)

  • AWS Organizations agora emite eventos no CloudTrail para mudanças de membros na organização

    O que mudou no AWS Organizations

    A AWS anunciou uma melhoria importante no AWS Organizations: a partir de agora, o serviço emite automaticamente eventos no Trilha de Auditoria em Nuvem (CloudTrail) sempre que contas entram ou saem de uma organização. Esses eventos são registrados diretamente na conta de gerenciamento, oferecendo às equipes de segurança e aos administradores de nuvem uma visibilidade muito mais precisa sobre as movimentações de membros na estrutura organizacional.

    Antes dessa novidade, alterações no quadro de contas de uma organização podiam passar despercebidas, abrindo brechas para atividades não autorizadas ou incidentes de segurança difíceis de rastrear. Com os novos eventos, esse ponto cego passa a ser monitorado de forma nativa.

    Os dois novos eventos

    A AWS introduziu dois eventos específicos para cobrir os cenários de entrada e saída de contas:

    • AccountJoinedOrganization: registrado sempre que uma conta passa a fazer parte da organização. O evento captura a forma como a conta ingressou — se foi criada diretamente (Created) ou convidada (Invited) — além do horário exato da adesão.
    • AccountDepartedOrganization: registrado quando uma conta deixa a organização. O evento documenta o motivo da saída, que pode ser: saída voluntária (Left), remoção pela conta de gerenciamento (Removed) ou encerramento permanente da conta (Cleaned), junto com o horário da partida.

    Esse nível de detalhe é especialmente valioso em investigações de incidentes, pois permite reconstruir com precisão o histórico de alterações na composição da organização.

    Como aproveitar esses eventos na prática

    Com os eventos disponíveis no CloudTrail, é possível integrá-los a outros serviços da AWS para criar fluxos de monitoramento em tempo real. A AWS destaca duas abordagens principais:

    • Criação de alarmes no CloudWatch para notificações imediatas quando mudanças organizacionais ocorrerem.
    • Configuração de regras no Amazon EventBridge para disparar respostas automáticas diante de alterações suspeitas.

    Essas integrações permitem que as equipes respondam rapidamente a situações inesperadas, como uma conta sendo adicionada ou removida fora dos processos normais da empresa.

    Casos de uso suportados

    A AWS aponta que esse novo recurso atende a cenários críticos para organizações que operam em ambientes AWS de maior escala:

    • Detecção de fraudes: identificar movimentações não autorizadas de contas que possam indicar comprometimento ou uso indevido.
    • Auditoria de conformidade (compliance): manter registros detalhados de todas as alterações estruturais para atender a requisitos regulatórios.
    • Monitoramento de segurança: acompanhar em tempo real qualquer mudança na composição da organização.
    • Investigação de incidentes: dispor de trilha de auditoria completa para análise forense quando necessário.

    Disponibilidade

    Os novos eventos do CloudTrail para o AWS Organizations já estão disponíveis em todas as regiões comerciais da AWS, nas regiões AWS GovCloud (US) e também nas regiões da China. Para saber mais sobre como configurar e utilizar esse recurso, consulte a documentação oficial do AWS Organizations.

    Fonte

    AWS Organizations emits CloudTrail events for account membership changes (https://aws.amazon.com/about-aws/whats-new/2026/05/aws-organizations-cloudtrail/)

  • Amazon EMR passa a suportar Apache Spark 4.0.2 em disponibilidade geral

    O que mudou

    A AWS anunciou que o Amazon EMR agora oferece suporte ao Apache Spark 4.0.2 em disponibilidade geral, contemplando os três modelos de implantação do serviço. A novidade traz um conjunto relevante de melhorias para quem trabalha com pipelines de dados, controle de acesso e aplicações em tempo real.

    Principais capacidades do Spark 4.0.2 no EMR

    Pipelines de dados com ANSI SQL

    Uma das mudanças mais práticas é o suporte nativo ao ANSI SQL padrão, o que torna a engenharia de dados acessível a um público mais amplo. Com isso, não é mais necessário aprender a sintaxe específica do Spark para construir e manter pipelines — quem já conhece SQL consegue trabalhar de forma produtiva desde o início.

    Suporte a dados semiestruturados com VARIANT

    O Spark 4.0.2 introduz suporte nativo a JSON e outros dados semiestruturados por meio dos tipos de dados VARIANT. Isso oferece mais flexibilidade para lidar com formatos de dados variados, sem a necessidade de transformações complexas antes do processamento.

    Controle de acesso granular (FGAC)

    O Controle de Acesso Refinado (FGAC — Fine-Grained Access Control) agora pode ser aplicado tanto em operações de leitura quanto de escrita nas tabelas registradas no AWS Lake Formation, dentro dos jobs do Apache Spark. Isso permite definir permissões no nível de linha ou coluna, aumentando a precisão no controle de quem acessa o quê.

    Apache Iceberg v3 para governança e conformidade

    O suporte ao formato de tabela Apache Iceberg v3 complementa as capacidades de segurança ao oferecer garantias de transação mais robustas e rastreamento de linhagem de dados. O resultado são trilhas de auditoria adequadas para atender a exigências regulatórias e fortalecer os frameworks de conformidade e governança.

    Streaming aprimorado para aplicações em tempo real

    Os controles de streaming foram aprimorados para simplificar o gerenciamento de operações stateful complexas e melhorar o monitoramento. Isso permite colocar em produção aplicações em tempo real com mais agilidade — casos de uso como detecção de fraudes, personalização e outros cenários sensíveis ao tempo são diretamente beneficiados.

    Disponibilidade e como começar

    O Apache Spark 4.0.2 está disponível em todas as regiões onde o Amazon EMR já opera. Para quem está migrando a partir de uma versão anterior, a AWS disponibiliza o agente de atualização do Apache Spark, uma ferramenta que acelera o processo de upgrade de aplicações EMR existentes.

    Para criar uma nova aplicação EMR com Spark 4.0.2, basta acessar o Console de Gerenciamento da AWS e seguir o fluxo padrão de criação.

    Fonte

    Amazon EMR now supports Apache Spark 4.0.2 in general availability (https://aws.amazon.com/about-aws/whats-new/2026/05/amazon-emr-apache-spark/)

  • Amazon VPC IPAM agora suporta tags em alocações de pools IPAM

    O que mudou no Amazon VPC IPAM

    A AWS expandiu as capacidades do Amazon VPC IPAM — Gerenciador de Endereços IP de Nuvem Privada Virtual (VPC) com uma novidade bastante aguardada por equipes de rede: agora é possível aplicar tags diretamente nas alocações de pools IPAM. Isso coloca o gerenciamento de endereços IP no mesmo nível de governança que outros recursos AWS já oferecem há anos.

    Para quem ainda não conhece o serviço: o Amazon VPC IPAM é a solução da AWS para planejar, rastrear e monitorar endereços IP em ambientes AWS. Em cenários com múltiplas contas e regiões, controlar quem usa qual faixa de IP pode se tornar um verdadeiro desafio — e é exatamente aí que esse novo suporte a tags faz diferença.

    O que é possível fazer agora

    Com a atualização, as equipes passam a ter duas formas de trabalhar com tags nas alocações:

    • Adicionar tags no momento da criação de uma nova alocação de pool IPAM.
    • Incluir tags em alocações já existentes, sem precisar recriar nada.

    Essas tags podem ser referenciadas diretamente em políticas do AWS IAM — Gerenciamento de Identidade e Acesso (IAM) e em SCPs — Políticas de Controle de Serviço (SCP), o que abre caminho para uma governança centralizada e em escala sobre o uso de endereços IP na organização.

    Exemplo prático de uso

    A AWS ilustra bem o potencial da funcionalidade com um cenário direto: um administrador de rede pode marcar as alocações por ambiente — produção, desenvolvimento, homologação — e, a partir daí, criar uma política IAM que restrinja cada equipe ao pool correspondente. Assim, apenas a role de rede de produção consegue alocar endereços do pool de produção, enquanto times de desenvolvimento ficam limitados aos pools de desenvolvimento. Simples, auditável e seguro.

    Além do controle de acesso, as tags também facilitam a localização de faixas de IP específicas. É possível buscar e filtrar alocações por tag em todos os pools IPAM, o que acelera muito o trabalho em ambientes grandes com múltiplas contas.

    Disponibilidade e custo

    O suporte a tags em alocações de pools IPAM está disponível em todas as regiões AWS onde o IPAM já opera, sem nenhum custo adicional.

    Para se aprofundar no tema, a AWS disponibiliza o Guia do Usuário do IPAM. Quem quiser colocar a mão na massa pode acessar diretamente o console do IPAM para começar.

    Fonte

    Amazon VPC IPAM now supports tags on IPAM pool allocations (https://aws.amazon.com/about-aws/whats-new/2026/05/amazon-vpc-ipam-tags/)

  • Boas práticas Well-Architected para segurança da cadeia de suprimentos de software

    Ataques recentes à cadeia de suprimentos e por que isso importa

    Desde setembro, diversos ataques notáveis à cadeia de suprimentos de software foram registrados no npm Registry: Shai-Hulud, Chalk/Debug, um abuso de tokens do tea.xyz e, mais recentemente, o axios. Graças a esforços da comunidade envolvendo a equipe do Amazon Inspector, a Open Source Security Foundation e outros colaboradores, os pacotes afetados foram rapidamente identificados, reduzindo o impacto desses incidentes.

    Ataques como o Shai-Hulud exploram vulnerabilidades em duas frentes: contas de mantenedores comprometidas que publicam pacotes maliciosos e ambientes de consumidores que baixam e executam esses pacotes. O ataque Shai-Hulud teve sucesso porque credenciais de mantenedores foram comprometidas via phishing, permitindo que agentes de ameaça publicassem versões maliciosas de pacotes populares.

    Incidentes como esses reforçam a necessidade de práticas de segurança robustas na cadeia de suprimentos de software. A defesa eficaz exige abordar ambos os lados: mantenedores de pacotes precisam de proteções que previnam comprometimento de contas e limitem a propagação quando credenciais são roubadas; consumidores de pacotes precisam de defesas em camadas que detectem pacotes maliciosos, impeçam sua implantação e limitem danos quando um comprometimento ocorre.

    A AWS publicou um guia detalhado com boas práticas focadas em consumidores de pacotes, alinhadas ao AWS Well-Architected Framework – Pilar de Segurança. Vamos explorar essas práticas nesta releitura.

    Diagrama do fluxo de ataque Shai-Hulud — fonte: Aws

    Usar credenciais temporárias e conceder privilégio mínimo

    Quando o Shai-Hulud foi executado em ambientes de desenvolvimento e pipelines de Integração e Entrega Contínua (CI/CD), ele escaneou segredos como tokens npm, tokens GitHub e chaves de acesso do AWS Identity and Access Management (IAM). Credenciais de longa duração expostas dessa forma permitiram que agentes de ameaça propagassem o malware e acessassem recursos em nuvem.

    Incidentes recentes mostraram organizações descobrindo múltiplos pares de credenciais IAM vazados, com preocupações sobre credenciais adicionais expostas e potencial comprometimento de pipelines CI/CD.

    A remoção de credenciais de longa duração dos ambientes de desenvolvimento e pipelines CI/CD reduz o escopo de exposição caso um sistema seja comprometido. Para desenvolvedores trabalhando localmente, o novo comando de login da AWS CLI (aws login) simplifica a aquisição de credenciais CLI de curta duração e elimina a necessidade de armazenar credenciais de longa duração em arquivos de configuração. O AWS IAM Identity Center também oferece uma forma direta de adquirir credenciais temporárias que expiram automaticamente.

    Para pipelines CI/CD, a federação via OpenID Connect (OIDC) com GitHub Actions, GitLab CI ou outras plataformas fornece credenciais temporárias para cada job sem armazenar tokens de longa duração. O IAM também pode federar identidades AWS para serviços externos, permitindo que workloads na AWS acessem serviços externos de forma segura sem credenciais de longo prazo.

    Credenciais temporárias expiram automaticamente, limitando a janela de exposição caso um pipeline seja comprometido. Para serviços de terceiros que não suportam credenciais temporárias, a recomendação é armazenar as credenciais em um serviço centralizado como o AWS Secrets Manager ou o AWS Systems Manager Parameter Store, limitando o acesso a esses segredos, exigindo credenciais temporárias e aplicando rotação automática com registro de auditoria.

    Resumo das recomendações para reduzir risco de exposição de credenciais

    Em caso de incidente de segurança onde credenciais possam ter sido expostas, a orientação é rotacionar imediatamente todas as credenciais de longa duração. Utilizar o Amazon GuardDuty e o AWS CloudTrail para detectar atividade IAM anômala e identificar quais credenciais podem ter sido comprometidas.

    Implementar defesa em profundidade

    Mesmo com credenciais temporárias e privilégio mínimo, uma única conta comprometida pode permitir que agentes de ameaça publiquem pacotes maliciosos ou acessem recursos sensíveis. A defesa em profundidade cria múltiplas camadas de proteção que trabalham juntas para prevenir a propagação após o comprometimento inicial.

    O princípio-chave é garantir que, se uma credencial ou conta for comprometida, controles adicionais impeçam que esse comprometimento se espalhe pela organização. Isso inclui Autenticação Multifator (MFA) para acesso combinada com diferentes IAM roles para workloads sensíveis.

    Para projetos open source de desenvolvedor único, o MFA se torna ainda mais crítico porque não há separação de funções através de múltiplos mantenedores. Em ambientes de equipe, exigir múltiplos aprovadores para liberar pacotes para produção cria separação de funções. A aprovação multi-parte deve ser implementada dentro do próprio pipeline para implantações sensíveis — garantindo que mesmo se credenciais de um desenvolvedor forem comprometidas e ele disparar um deploy, o pipeline exija aprovação adicional antes de liberar para produção.

    Para consumidores de pacotes, fluxos de aprovação múltipla em pipelines de implantação ajudam a garantir que, se um pacote malicioso passar pela varredura inicial, a revisão humana possa identificar mudanças suspeitas antes da implantação em produção.

    Assinatura de artefatos como parte da defesa em profundidade

    A assinatura de artefatos fornece uma camada criptográfica complementar que funciona junto com os controles de processo. O ataque Shai-Hulud teve sucesso porque credenciais comprometidas de mantenedores permitiram publicar pacotes maliciosos diretamente no registro npm público. Para consumidores de pacotes, a defesa é garantir que pacotes obtidos de registros públicos não alcancem produção sem verificação.

    Ao vincular criptograficamente um pacote ou imagem de contêiner à identidade que o produziu, a assinatura cria uma camada de verificação independente da credencial usada para disparar o build — significando que uma credencial de desenvolvedor comprometida sozinha não é suficiente para introduzir um artefato não verificado no pipeline de implantação.

    O AWS Signer fornece assinatura criptográfica para pacotes, criando uma camada adicional de verificação. O modelo de autorização de assinatura separa responsabilidades: credenciais de desenvolvedor não devem ter permissões de assinatura. Apenas roles de pipeline CI/CD devem ter permissões de assinatura através da API signer:StartSigningJob. O Signer usa Módulos de Segurança de Hardware (HSMs) validados FIPS 140-3 Nível 3 para armazenar chaves de assinatura.

    O fluxo de assinatura de imagens de contêiner funciona da seguinte forma:

    • O desenvolvedor ou pipeline CI/CD constrói uma imagem de contêiner e envia para o Amazon Elastic Container Registry (Amazon ECR)
    • Com a assinatura gerenciada do Amazon ECR (nova funcionalidade), o ECR dispara automaticamente a assinatura quando a imagem é enviada
    • O Amazon ECR chama o Signer com o digest da imagem e o perfil de assinatura
    • O Signer verifica as permissões do perfil e assina o digest usando chaves armazenadas em HSMs validados FIPS 140-3 Nível 3
    • A assinatura é armazenada junto à imagem no Amazon ECR usando formato de artefato OCI (Open Container Initiative)
    • No momento da implantação, controladores de admissão (Kyverno para Amazon EKS, lifecycle hooks para Amazon ECS) verificam assinaturas antes de permitir a implantação
    Diagrama do fluxo de assinatura com AWS Signer — fonte: Aws

    Os benefícios do Signer em comparação com a construção de infraestrutura de assinatura personalizada incluem:

    • Totalmente gerenciado: Sem necessidade de construir infraestrutura customizada ou gerenciar ciclo de vida de certificados
    • Automatizado: A assinatura gerenciada do ECR acontece automaticamente no push da imagem sem etapas manuais
    • Governança centralizada: Um único perfil de assinatura pode ser usado em múltiplas contas e pipelines
    • Integração nativa: Integração com Notation e Kyverno para verificação de assinatura no Amazon EKS
    • Conformidade FIPS 140-3 Nível 3: Atende requisitos regulatórios rigorosos para operações criptográficas

    O registro de auditoria para todas as operações de assinatura permite detectar padrões incomuns, como assinatura a partir de novos endereços IP, horários incomuns ou sucessão rápida de jobs de assinatura.

    Centralizar o gerenciamento de dependências

    Ao centralizar o gerenciamento de pacotes e dependências, é possível validar e aprovar dependências antes de serem usadas em aplicações e auditar rapidamente dependências em caso de incidente de segurança na cadeia de suprimentos.

    Na AWS, o AWS CodeArtifact permite hospedar e gerenciar os pacotes de software da organização. A configuração de grupos de pacotes permite definir uma lista aprovada de fontes upstream e bloquear acesso a todas as outras — um controle direto contra ataques de typosquatting, onde pacotes maliciosos são publicados com nomes que se assemelham a pacotes legítimos. Em vez de depender dos desenvolvedores para identificar nomes suspeitos na hora da instalação, a configuração de grupo de pacotes impõe a barreira no nível do repositório.

    A centralização também permite fixar versões de dependências para evitar que atualizações automáticas puxem versões maliciosas, e remover rapidamente dependências comprometidas em todo o portfólio de software quando um incidente ocorre.

    Para imagens de contêiner, o Amazon ECR fornece armazenamento centralizado de imagens com criptografia via AWS Key Management Service (AWS KMS) e políticas de ciclo de vida. Combinado com a varredura do Amazon Inspector, é possível validar continuamente a integridade das imagens. Para orientações adicionais: SEC11-BP05: Centralizar serviços para pacotes e dependências.

    Atestação de proveniência do npm

    Para pacotes npm especificamente, as atestações de proveniência fornecem um controle complementar no lado do consumidor. Disponíveis desde o npm 9.5, as atestações vinculam um pacote publicado ao repositório de código-fonte específico e ao fluxo CI/CD que o produziu, usando Sigstore como infraestrutura de assinatura subjacente. Quando um pacote é instalado, a CLI do npm pode verificar que o artefato publicado corresponde à proveniência de build atestada.

    Mantenedores de pacotes publicando no npm podem habilitar a proveniência executando npm publish com a flag --provenance a partir de um ambiente CI/CD suportado como GitHub Actions. Para orientações adicionais: SEC11-BP06: Implantar software programaticamente e DL.CS.2: Assinar artefatos de código após cada build.

    Escanear dependências ao longo do ciclo de vida de desenvolvimento

    A AWS disponibiliza serviços para escanear dependências continuamente, do desenvolvimento à implantação:

    • No desenvolvimento: O Kiro pode realizar análise de composição de software durante revisões de código para identificar código de terceiros vulnerável.
    • Em repositórios de código e pipelines: O Amazon Inspector escaneia código próprio, dependências de terceiros e Infraestrutura como Código (IaC) em busca de vulnerabilidades.
    • Para imagens de contêiner: O Amazon Inspector fornece varredura contínua de vulnerabilidades em imagens no Amazon ECR. Também pode ser integrado diretamente em pipelines CI/CD para escanear imagens antes de serem enviadas ao ECR ou implantadas.

    Scanners de vulnerabilidade tradicionais focam em CVEs conhecidos — vulnerabilidades divulgadas publicamente com identificadores atribuídos. Ataques à cadeia de suprimentos como o Shai-Hulud envolvem pacotes maliciosos que funcionam como zero-days: são intencionalmente criados por agentes de ameaça e explorados ativamente antes de um CVE ser atribuído. Scanners tradicionais baseados em bancos de dados de CVE não detectarão esses pacotes até que sejam formalmente identificados e catalogados, o que pode levar dias ou semanas.

    Detectar essas ameaças requer análise comportamental em escala e colaboração da comunidade, não apenas correspondência estática de assinaturas. A escala operacional da AWS — com inteligência de ameaças de fontes como MadPot e dados de resposta a incidentes de milhões de clientes — permite a detecção de comportamento suspeito de pacotes em múltiplos ambientes simultaneamente.

    Quando um pacote recém-publicado exibe comportamento de coleta de credenciais em múltiplas contas de clientes em poucas horas após a publicação, esse sinal entre contas permite identificação rápida. Essas descobertas são contribuídas para bancos de dados mantidos pela comunidade como o OpenSSF Malicious Packages Repository, que atribui um identificador formal (MAL-ID) e o compartilha com a comunidade de segurança. Para a campanha de token farming do tea.xyz, o tempo médio entre submissão e identificação formal foi de aproximadamente 30 minutos.

    Um modelo de ameaça relacionado importante é o pacote “dorminhoco” (sleeper package): um pacote que aparenta ser benigno na publicação e ativa comportamento malicioso apenas após um atraso ou condição de gatilho. A análise estática sozinha é insuficiente para capturar esses pacotes porque o payload malicioso não está presente ou ativo no momento da instalação. A análise comportamental do Amazon Inspector é projetada especificamente para detectar essa classe de ameaça.

    Listas de Materiais de Software (SBOMs) nos formatos SPDX ou CycloneDX permitem avaliar rapidamente a exposição durante incidentes. No incidente Shai-Hulud, os pacotes comprometidos (MAL-2025-46974 e CVE-2025-59144) foram identificados precocemente, fornecendo achados acionáveis para remediação rápida. Para orientações adicionais: SEC11-BP02: Automatizar testes ao longo do ciclo de vida de desenvolvimento e lançamento.

    Configurar logging e monitoramento

    A visibilidade sobre atividades é essencial para detectar comportamento anômalo precocemente. As recomendações incluem:

    • Habilitar logging de aplicações e serviços
    • Centralizar e monitorar logs entre contas
    • Usar o GuardDuty para monitorar continuamente atividade maliciosa e chamadas de API anômalas
    • Agregar achados com o AWS Security Hub e impor boas práticas de configuração com o AWS Config

    O logging do CloudTrail fornece trilhas de auditoria para acesso a credenciais e atividade de API. Ao responder a incidentes de cadeia de suprimentos, deve-se revisar logs do CloudTrail para eventos específicos que indicam comprometimento de credenciais ou atividade maliciosa:

    • Chamadas sts:AssumeRole de endereços IP ou regiões inesperadas
    • Chamadas secretsmanager:GetSecretValue ou ssm:GetParameter de fontes desconhecidas
    • Chamadas ecr:PutImage de estações de trabalho de desenvolvedores, contornando pipelines CI/CD
    • Chamadas lambda:UpdateFunctionCode fora de janelas normais de implantação
    • Chamadas iam:CreateAccessKey seguidas de atividade imediata de API
    • Chamadas codecommit:GitPush ou codebuild:StartBuild de endereços IP incomuns

    Quando combinado com regras do Amazon EventBridge, é possível disparar respostas automatizadas quando o Amazon Inspector detecta pacotes maliciosos ou quando esses padrões incomuns de acesso a credenciais ocorrem. Para orientações adicionais: SEC04: Detecção.

    Arquitetura de defesa completa com as camadas de prevenção, controle, verificação, detecção e resposta — fonte: Aws

    Boas práticas adicionais

    O Pilar de Segurança do Well-Architected Framework também fornece boas práticas organizacionais aplicáveis à melhoria de processos de segurança em todas as dimensões da organização. Práticas relevantes incluem: SEC11-BP01: Treinar para segurança de aplicações; SEC11-BP08: Construir um programa que incorpore ownership de segurança em equipes de workload; e SEC10: Resposta a Incidentes.

    Conclusão

    Incidentes recentes como Shai-Hulud, Chalk/Debug e tea.xyz refletem esforços contínuos de agentes de ameaça para atacar registros de pacotes, pipelines CI/CD e credenciais de desenvolvedores visando maior superfície de ataque e propagação. Uma única conta de mantenedor comprometida ou pacote malicioso pode se propagar simultaneamente em milhares de ambientes de consumidores.

    Os controles descritos neste artigo foram projetados com esse modelo de ameaça em mente: credenciais temporárias limitam o valor de tokens roubados; gerenciamento centralizado de dependências e bloqueio de upstream reduzem a superfície de ataque no nível do registro; assinatura de artefatos garante que mesmo se um pipeline de build for comprometido, artefatos não assinados não alcancem produção; e varredura de dependências ao longo do ciclo de vida do software ajuda a identificar pacotes comprometidos precocemente. Cada camada estreita a janela de oportunidade para um agente de ameaça.

    Para aprofundar

    Fonte

    Well-architected best practices for software supply chain security (https://aws.amazon.com/blogs/security/well-architected-best-practices-for-software-supply-chain-security/)

  • Conheça o AWS CIRT: o time de resposta a incidentes de segurança da AWS

    O que é o AWS CIRT?

    A Amazon Web Services (AWS) mantém um time global especializado em resposta a incidentes de segurança chamado AWS CIRT — sigla para Customer Incident Response Team (Equipe de Resposta a Incidentes de Clientes). Esse time opera 24 horas por dia, 7 dias por semana, e é composto por engenheiros de segurança que atuam diretamente em eventos ativos nos ambientes dos clientes.

    É importante entender o escopo de atuação do AWS CIRT dentro do Modelo de Responsabilidade Compartilhada da AWS: o time foca no lado do cliente — ou seja, na segurança dentro da nuvem, não na infraestrutura física gerenciada pela própria AWS. Quando um cliente enfrenta acesso não autorizado, exfiltração de dados ou ransomware em seu ambiente AWS, é exatamente aí que o CIRT entra em ação.

    Como acionar o suporte em caso de incidente ativo

    Se você está passando por um evento de segurança ativo agora, o caminho mais direto é abrir um chamado de suporte. Veja como fazer isso corretamente:

    Abrir o chamado a partir da conta comprometida permite que a AWS confirme a titularidade da conta e gere um número de acompanhamento. Se você tiver um time de conta (TAM, Account Manager ou Solutions Architect), pode acionar essa equipe para iniciar uma escalada. E caso tenha perdido o acesso à sua conta, ainda é possível enviar uma solicitação de assistência por outro canal.

    O que o AWS CIRT faz durante um engajamento

    Durante um atendimento, o AWS CIRT concentra sua análise nos logs de serviços AWS e no plano de controle da nuvem. As principais fontes utilizadas são AWS CloudTrail, Amazon VPC Flow Logs e findings do Amazon GuardDuty. A partir dessas fontes, o time realiza triagem, análise e contenção do incidente, além de oferecer recomendações para evitar recorrências.

    Vale destacar um ponto importante: para investigações que vão além do plano de controle AWS — como análise de sistema operacional, memória ou revisão de código de aplicação — a recomendação é complementar o suporte do CIRT com um parceiro especializado da AWS em forense digital e resposta a incidentes (DFIR).

    Catálogo de Técnicas de Ameaças para AWS (TTC)

    Um dos recursos mais valiosos desenvolvidos pelo AWS CIRT é o Threat Technique Catalog for AWS (TTC) — Catálogo de Técnicas de Ameaças para AWS. O TTC nasceu como uma referência interna: o time precisava registrar e compartilhar os padrões que se repetiam entre os engajamentos, evitando que a mesma análise fosse refeita do zero a cada novo caso. Com o tempo, ficou evidente que esse conhecimento seria valioso para todos os clientes, e o catálogo foi tornado público.

    O TTC é baseado na MITRE ATT&CK Cloud Matrix e documenta táticas, técnicas e procedimentos (TTPs) de agentes de ameaça específicos para ambientes AWS, com orientações de detecção e mitigação para cada entrada. É possível filtrar por serviços AWS presentes no seu ambiente para focar no que é mais relevante para a sua realidade. As descobertas do TTC também alimentam a lógica de detecção de serviços como o Amazon GuardDuty, fortalecendo as proteções automatizadas dos clientes.

    Ferramentas open source disponibilizadas pelo CIRT

    Além do catálogo de ameaças, o AWS CIRT abriu o código de diversas ferramentas desenvolvidas internamente para resolver problemas recorrentes nos engajamentos. Essas ferramentas complementam — e não substituem — o conjunto de segurança já existente no seu ambiente. Para uma visão abrangente de como estruturar um programa de resposta a incidentes, o ponto de partida recomendado é o Guia de Resposta a Incidentes de Segurança da AWS.

    Workshops práticos abertos ao público

    O AWS CIRT também mantém cinco workshops públicos, atualizados regularmente para simular eventos de segurança atuais. Os temas cobertos são: uso não autorizado de credenciais IAM, ransomware no Amazon S3, cryptomining, SSRF no IMDSv1 e ferramentas de preparação para resposta a incidentes.

    Para participar, basta ter uma conta AWS e conexão com a internet. Os workshops são construídos com base nos mesmos cenários que o time usa internamente para treinamento — a ideia é tornar esse aprendizado acessível para qualquer profissional que queira se preparar melhor para resposta a incidentes na nuvem.

    Como entrar em contato com o AWS CIRT

    Qualquer cliente AWS pode acionar o CIRT por meio de um chamado de suporte, independentemente do plano contratado. Clientes que possuem um time de conta dedicado também podem iniciar uma escalada diretamente por esse canal. Para clientes com Enterprise Support ou Unified Operations, há ainda a opção de contratar o AWS Security Incident Response, um serviço gerenciado voltado para triagem e resposta a eventos de segurança.

    Para feedbacks ou dúvidas, o CIRT pode ser contactado pelo e-mail aws-cirt@amazon.com. Por fim, recomenda-se também assinar os AWS Security Bulletins via feed RSS para receber notificações sobre eventos de segurança nos serviços AWS.

    Fonte

    Welcoming the AWS Customer Incident Response Team (https://aws.amazon.com/blogs/security/welcoming-the-aws-customer-incident-response-team/)

  • Amazon GuardDuty Malware Protection para AWS Backup agora suporta backups contínuos do S3

    O que foi anunciado

    A AWS anunciou a expansão do Amazon GuardDuty Malware Protection for AWS Backup com suporte a backups contínuos do Amazon S3. Com essa novidade, equipes de segurança e operações podem escanear backups contínuos do S3 em busca de malware e identificar, ao longo de toda a linha do tempo de backup, quais pontos estão limpos e seguros para uma eventual recuperação.

    O que muda na prática

    Antes dessa atualização, a proteção contra malware do GuardDuty para o AWS Backup não alcançava os backups contínuos do S3 — um tipo de backup que captura alterações de forma incremental e permite restaurar dados para qualquer ponto no tempo. Agora, essa lacuna foi preenchida.

    Com o novo suporte, é possível:

    • Habilitar varreduras completas ou incrementais de malware para backups contínuos do S3 diretamente dentro do plano de backup;
    • Executar varreduras sob demanda até qualquer ponto de restauração disponível;
    • Consultar o status da varredura em qualquer ponto da linha do tempo do backup contínuo por meio da nova API GetPITRMalwareScanResults — o que permite verificar se um determinado momento de recuperação está livre de ameaças antes de iniciar a restauração.

    Por que isso importa

    Backups contínuos são amplamente usados por equipes que precisam de baixa tolerância à perda de dados. O problema é que, sem verificação de integridade contra malware, um backup contínuo pode estar preservando arquivos comprometidos — e uma restauração a partir desse ponto poderia reintroduzir a ameaça no ambiente. Com essa integração, é possível garantir que o ponto de restauração escolhido é realmente seguro antes de acionar qualquer processo de recuperação.

    Disponibilidade

    O suporte a backups contínuos do S3 está disponível em todas as regiões da AWS onde o Amazon GuardDuty Malware Protection for AWS Backup já era suportado. Para começar a usar, basta acessar o console do AWS Backup, ou utilizar a API ou a Interface de Linha de Comando (CLI). Para mais detalhes técnicos, a AWS disponibiliza a documentação do AWS Backup e a documentação do Amazon GuardDuty Malware Protection.

    Fonte

    Amazon GuardDuty Malware Protection for AWS Backup supports Amazon S3 continuous backups (https://aws.amazon.com/about-aws/whats-new/2026/05/amazon-guardduty-aws-backup-s3-continuous/)

  • AWS Security Agent ganha scripts de verificação para achados de pentest

    O que mudou no AWS Security Agent

    A AWS anunciou uma atualização relevante para equipes de segurança: o AWS Security Agent agora gera automaticamente scripts de verificação para os achados de testes de penetração (pentest). A novidade simplifica um processo que, até então, exigia trabalho manual considerável.

    Como era o processo antes

    Anteriormente, quando um teste de penetração identificava uma vulnerabilidade, as equipes de segurança precisavam seguir manualmente os passos descritos nos detalhes do achado para conseguir reproduzir e validar o problema encontrado. Esse processo era demorado e suscetível a erros humanos, especialmente em ambientes com muitos achados para triar.

    O que o AWS Security Agent oferece agora

    Com a atualização, o serviço passa a gerar automaticamente scripts prontos para execução para cada achado confirmado durante o pentest. O fluxo de trabalho fica assim:

    • A equipe faz o download do script gerado pelo serviço;
    • Configura as variáveis de ambiente necessárias;
    • Executa o script contra o sistema-alvo para verificar a vulnerabilidade.

    Cada script gerado acompanha instruções de configuração, documentação das variáveis de ambiente utilizadas e valores sensíveis já redigidos (ocultados) para maior segurança no compartilhamento e na execução.

    Por que isso importa para equipes de segurança

    A geração automática de scripts de verificação traz dois ganhos práticos diretos: agiliza a triagem dos achados e acelera o processo de remediação. Em vez de interpretar e replicar manualmente cada passo de reprodução, a equipe pode validar a vulnerabilidade de forma padronizada e repetível, com muito menos atrito operacional.

    Disponibilidade e como começar

    O recurso está disponível em todas as regiões da AWS onde o AWS Security Agent já é suportado. Para utilizá-lo, basta executar um teste de penetração pelo serviço, navegar até os achados e expandir a seção Verification Script no achado desejado.

    Para se aprofundar, a AWS disponibiliza documentação detalhada: Revisar achados de um teste de penetração no Guia do Usuário do AWS Security Agent.

    Fonte

    AWS Security Agent adds verification scripts for pentest findings (https://aws.amazon.com/about-aws/whats-new/2026/05/aws-security-agent/)

  • Amazon Nova Act agora é elegível para HIPAA

    IA agêntica chega ao setor de saúde regulado

    Organizações de saúde e ciências da vida dependem de tarefas manuais e repetitivas baseadas em navegadores para fluxos de trabalho críticos — como processamento de sinistros e coordenação de encaminhamentos médicos. Embora a IA agêntica tenha potencial para automatizar esses processos, as exigências de conformidade da Lei de Portabilidade e Responsabilidade de Seguros de Saúde (HIPAA) vinham limitando sua adoção em cenários onde informações eletrônicas de saúde protegidas (ePHI) estivessem presentes.

    A AWS anunciou que o Amazon Nova Act agora é um serviço elegível para HIPAA. Isso significa que é possível implantar agentes de IA autônomos, baseados em navegador, para automatizar fluxos de trabalho complexos de saúde em conexão com ePHI.

    O que é o Amazon Nova Act

    O Amazon Nova Act é um serviço da AWS voltado para a criação e o gerenciamento de frotas de agentes de IA confiáveis, com foco na automação de fluxos de trabalho de interface de usuário (UI) em produção e em escala. O serviço executa tarefas repetitivas no navegador e, quando necessário, escala para um supervisor humano.

    O Nova Act também se integra a ferramentas externas por meio de chamadas de API, Protocolo de Controle de Modelo (MCP) remoto ou frameworks agênticos, como o Strand Agents. Os fluxos de trabalho podem ser definidos combinando a flexibilidade da linguagem natural com código Python.

    Na prática, o Amazon Nova Act consegue navegar em sites, preencher formulários, extrair informações e concluir fluxos de trabalho com múltiplas etapas. Para organizações de saúde, isso se traduz em menor carga administrativa, processamento mais rápido de sinistros e execução mais consistente de processos rotineiros.

    Por que a elegibilidade HIPAA importa para IA agêntica

    Diferentemente de modelos que apenas geram texto, sistemas de IA agêntica interagem com sistemas ativos, acessam dados e executam fluxos de trabalho que podem envolver Informações de Saúde Protegidas (PHI). Esse nível de interação exige uma atenção especial à conformidade regulatória.

    Sob o Modelo de Responsabilidade Compartilhada da AWS, a AWS gerencia a segurança da infraestrutura subjacente, enquanto o cliente permanece responsável por configurar os controles necessários para alcançar a conformidade com o HIPAA em suas implantações.

    Casos de uso na área da saúde

    Com a elegibilidade HIPAA, o Nova Act abre espaço para uma série de automações em ambientes regulados. Entre os casos de uso mencionados pela AWS, estão:

    • Agendamento de consultas, verificação de planos de saúde e autorização prévia em portais de prestadores e operadoras;
    • Verificação de status de sinistros, envio de recursos e acompanhamento de reembolsos em sites de operadoras, sem intervenção manual;
    • Envio e rastreamento de encaminhamentos entre prestadores;
    • Coleta de dados de múltiplos sistemas para relatórios de conformidade.

    Como começar a usar

    Para utilizar o Nova Act em um ambiente elegível para HIPAA, a AWS orienta seguir os passos abaixo:

    Para orientações mais detalhadas sobre implementação, a AWS recomenda envolver o AWS Professional Services ou um parceiro com competência em IA generativa da AWS.

    Pontos importantes sobre o serviço

    • Elegibilidade HIPAA: o Amazon Nova Act está incluído na lista de Serviços Elegíveis para HIPAA. Com um BAA assinado, é possível usar o Nova Act para processar ePHI.
    • Integrações: o Nova Act funciona com o framework Strands Agents e se integra ao Amazon Bedrock AgentCore, Amazon CloudWatch e IAM.
    • Disponibilidade: o Amazon Nova Act está disponível na região AWS US East (N. Virginia). Para conferir a disponibilidade por região, acesse a página de Capacidades da AWS por Região.
    • Preços: os detalhes de precificação estão disponíveis na página de preços do Amazon Nova Act.
    • Nota de conformidade: a elegibilidade HIPAA indica que o serviço foi projetado para uso em conformidade com os requisitos do HIPAA. A responsabilidade pela configuração adequada do serviço para atender às obrigações específicas de conformidade é do cliente. Este anúncio não constitui assessoria jurídica ou de conformidade.

    Conclusão

    Com a elegibilidade HIPAA, o Amazon Nova Act abre caminho para que a IA agêntica seja adotada em ambientes de saúde regulados. Para equipes que atuam nesse setor, vale explorar a documentação do Nova Act e iniciar o processo de assinatura do BAA da AWS para implantar os primeiros fluxos de trabalho de IA em conformidade.

    Para mais informações, a AWS disponibiliza as páginas de Segurança em Nuvem AWS — Conformidade HIPAA e a lista de Serviços Elegíveis para HIPAA.

    Leituras complementares

    Fonte

    Amazon Nova Act is now HIPAA eligible (https://aws.amazon.com/blogs/machine-learning/amazon-nova-act-is-now-hipaa-eligible/)

  • Construindo agentes multi-tenant com o Amazon Bedrock AgentCore

    O desafio de levar agentes de IA para produção em ambientes SaaS

    Provedores de Software como Serviço (SaaS) que desenvolvem aplicações agênticas com múltiplos inquilinos (multi-tenant) enfrentam desafios arquiteturais que vão muito além das preocupações habituais de segurança e governança. Isolamento entre tenants, gerenciamento de identidade, observabilidade, atribuição de custos e mitigação do problema de “vizinho barulhento” são apenas alguns dos obstáculos que separam uma demonstração funcional de um ambiente de produção robusto.

    Para endereçar esse cenário, a AWS anunciou o Amazon Bedrock AgentCore, um serviço gerenciado e serverless para construir, implantar e operar com segurança aplicações agênticas na AWS. O serviço oferece primitivos para deploy de agentes, hospedagem de servidores MCP (Model Context Protocol), além de suporte nativo a gerenciamento de identidade, memória, observabilidade e avaliações — tudo projetado para tornar arquiteturas multi-tenant mais simples de construir.

    Dez componentes de design para agentes multi-tenant

    A AWS detalhou dez componentes arquiteturais que precisam ser considerados ao projetar agentes multi-tenant com o AgentCore. Cada um exige decisões que equilibram isolamento, eficiência operacional e otimização de custos.

    Os padrões de isolamento que permeiam todas essas decisões são três: Silo, Pool e Bridge. A escolha entre eles depende da estratégia de tiers do produto SaaS.

    1. Runtime do agente: dedicado ou compartilhado

    A decisão mais fundamental é como o runtime do agente é provisionado em relação aos tenants. Um runtime dedicado por tenant (padrão Silo) oferece a maior proteção contra o problema do vizinho barulhento e facilita auditorias de conformidade. Um runtime compartilhado reduz custos e overhead operacional, mas exige propagação rigorosa do contexto do tenant dentro do processo.

    O AgentCore Runtime resolve essa tensão com computação baseada em microVMs isoladas por sessão. Cada sessão recebe seu próprio sistema de arquivos persistente, permitindo que os agentes mantenham estado entre etapas de uma interação sem risco de vazamento entre sessões. O contexto do tenant é injetado no ambiente de execução via cabeçalhos HTTP customizados — incluindo identificador do tenant, tier, preferências regionais, feature flags e entitlements.

    2. Modelos: compartilhados, por tier ou fine-tuned

    Modelos de fundação (FM — Foundation Models) compartilhados são o ponto de partida recomendado para a maioria dos deployments multi-tenant. Para casos que exigem terminologia específica, conformidade regulatória ou SLAs de performance, modelos fine-tuned por tenant se tornam necessários, embora introduzam maior complexidade operacional.

    A AWS oferece, via Amazon Bedrock, uma seleção de grandes modelos de linguagem (LLM — Large Language Models) de diferentes provedores, além de suporte a fine-tuning com datasets próprios e importação de modelos customizados via Amazon Bedrock Custom Model Import.

    3. Workflows: padrões Silo, Pool e Bridge

    Workflows podem ser implementados como ferramentas MCP, endpoints de API ou habilidades do agente. O padrão Silo usa habilidades dedicadas por tenant, com toda a lógica de negócio isolada — máxima customização, mas manutenção separada por tenant. O padrão Pool usa habilidades compartilhadas. O padrão Bridge combina os dois: etapas comuns (autenticação, logging, tratamento de erros) ficam em habilidades compartilhadas, que invocam habilidades específicas do tenant em runtime para a lógica crítica de negócio.

    4. RAG multi-tenant

    Sistemas de Geração Aumentada por Recuperação (RAG — Retrieval Augmented Generation) exigem decisões de isolamento de dados. O padrão Silo usa bancos de dados vetoriais dedicados por tenant — recomendado para indústrias reguladas. O padrão Pool usa bancos vetoriais compartilhados com filtragem por metadados e controle de acesso por namespace, mais eficiente em custo para plataformas com muitos tenants pequenos e médios.

    O Amazon Bedrock Knowledge Bases oferece capacidades gerenciadas de RAG com suporte a múltiplos bancos vetoriais e possibilidade de criar bases de conhecimento isoladas ou compartilhadas. Para orientações detalhadas, a AWS publicou referências sobre RAG multi-tenant com Amazon Bedrock Knowledge Bases e sobre multi-tenancy em aplicações RAG com filtragem de metadados.

    5. Contexto do tenant, padrão act-on-behalf e propagação de tokens

    Diferentemente de APIs determinísticas, agentes de IA são não-determinísticos e potencialmente autônomos. Um agente comprometido poderia fazer chamadas não autorizadas a serviços downstream, levando a roubo de credenciais, escalada de privilégios e o problema do “Confused Deputy”.

    A AWS recomenda o padrão de delegação (Act-on-Behalf), em vez de impersonação completa. Nesse modelo, os tokens são transformados em cada fronteira de serviço com credenciais de escopo limitado e uma claim act (conforme o RFC 8693 do OAuth 2.0) que identifica o agente. O AgentCore Identity suporta a troca de token On-behalf-of, permitindo que agentes e servidores MCP troquem um token de acesso do usuário por um novo token com escopo restrito para um recurso downstream específico.

    O contexto do tenant deve ser codificado em Tokens Web JSON (JWT — JSON Web Tokens) capturando três dimensões: Contexto de Segurança (claims padrão: iss, sub, exp, aud), Contexto do Tenant (tenant_id e escopos específicos) e Contexto da Requisição (atributos de domínio para lógica de negócio).

    6. Controle de acesso granular para ferramentas MCP e APIs

    Aplicações agênticas multi-tenant precisam restringir o acesso a servidores MCP por meio de políticas avaliadas em runtime — considerando cotas do tenant, permissões por tier e limites de uso. O AgentCore Policy intercepta e avalia todas as requisições dos agentes antes de permitir acesso a ferramentas, com políticas escritas em linguagem natural ou diretamente em Cedar.

    Na camada de invocação, servidores MCP filtram as ferramentas disponíveis com base no tier do tenant, feature flags e limites de quota. O AgentCore Gateway permite que agentes acessem ferramentas de forma segura, transformando APIs e funções AWS Lambda em ferramentas compatíveis com agentes, com suporte a Amazon API Gateway, schemas OpenAPI, modelos Smithy, funções Lambda e servidores MCP.

    Na camada de acesso a dados, políticas de Controle de Acesso Baseado em Atributos (ABAC — Attribute-Based Access Control) reforçam o isolamento usando condições do AWS Identity and Access Management (IAM — Identity and Access Management) para restringir o acesso a dados com base em tags e atributos do principal.

    7. Memória: isolamento por namespace hierárquico

    O gerenciamento de memória multi-tenant deve implementar cinco níveis lógicos: Global (conhecimento compartilhado entre tenants), Estratégia (padrões específicos por tipo de agente), Tenant (histórico e preferências do tenant), Usuário (contexto individual dentro do tenant) e Sessão (memória de curto prazo para conversas ativas).

    O AgentCore Memory oferece isolamento por namespace hierárquico em todos esses níveis, com suporte a políticas baseadas em recursos e controle de acesso baseado em atributos para acesso granular. A implementação envolve construir identificadores compostos a partir de informações do tenant e do usuário (por exemplo, tenant_123:user_456) e prefixar todas as operações de memória com o caminho de namespace apropriado.

    8. Identidade, confiança e descoberta de agentes

    Conforme agentes interagem com outros agentes além das fronteiras organizacionais, três preocupações fundamentais emergem: identidade (quem é este agente e ele pode provar isso?), confiança (devo confiar neste agente?) e descoberta (como encontro o agente certo?).

    O AgentCore Identity implementa identidades de agente como workload identities, com cada agente recebendo uma identidade verificável criptograficamente ancorada na conta AWS e na infraestrutura IAM da organização. Para confiança, a indústria ainda está trabalhando no problema — o Agent Naming Service (ANS) v2, atualmente um Internet-Draft da IETF (trabalho em andamento), ancora cada identidade de agente a um nome de domínio DNS, com três níveis de verificação: Bronze (PKI), Silver (PKI + DANE) e Gold (PKI + DANE + Transparency Log).

    Para descoberta, o AWS Agent Registry, disponível via Amazon Bedrock AgentCore, oferece um catálogo centralizado para descobrir agentes, habilidades, servidores MCP e recursos customizados em uma organização, com busca por linguagem natural ou estruturada.

    9. Rastreamento de custos por tenant e observabilidade

    A atribuição precisa de custos em ambientes multi-tenant requer instrumentação a nível de aplicação que emita métricas tagueadas por tenant para cada invocação do agente, capturando tokens de entrada/saída, invocações de ferramentas e duração de execução. O AgentCore Observability oferece visibilidade em tempo real dos workflows dos agentes com integração compatível com OpenTelemetry, alimentada pelo Amazon CloudWatch.

    10. Guardrails: segurança de conteúdo

    Guardrails multi-tenant atuam em três pontos: pré-processamento (validação do input antes do processamento pelo agente, bloqueando prompt injections e sanitizando PII conforme requisitos de conformidade como HIPAA e PCI-DSS), pós-processamento (validação das respostas para precisão factual, detecção de alucinações e varredura por vazamento de dados sensíveis) e configurações por tenant ou tier.

    O Amazon Bedrock Guardrails oferece filtragem de conteúdo e controles de segurança com políticas configuráveis para tópicos negados, filtros de conteúdo, filtros de palavras e redação de informações sensíveis.

    Implementando os três padrões com o AgentCore

    Padrão Silo

    No modelo Silo, cada tenant opera dentro de uma stack totalmente isolada, com seu próprio AgentCore Runtime, AgentCore Gateway e AgentCore Memory, todos delimitados por fronteiras IAM separadas. O fluxo começa com a autenticação do usuário no provedor de identidade, que emite um JWT com o contexto do tenant. Um proxy da aplicação SaaS roteia a requisição para o agente correto com base nesse contexto, e o AgentCore Runtime valida o JWT, cria uma sessão microVM isolada e inicia o raciocínio do agente. Quando o agente precisa invocar ferramentas, chama o Gateway dedicado ao tenant, que valida o JWT, extrai o contexto e integra com os recursos backend específicos daquele tenant.

    O trade-off é o maior overhead operacional, já que cada cliente executa recursos dedicados. Mas para workflows críticos de segurança e conformidade, o escopo limitado de impacto potencial justifica a escolha.

    Padrão Pool

    No modelo Pool, os recursos são compartilhados entre múltiplos tenants para maximizar a utilização e a eficiência operacional. O AgentCore Runtime e a lógica do agente são compartilhados, com o contexto do tenant extraído do JWT em cada execução. O AgentCore Memory é particionado com base no contexto do tenant usando namespace (por exemplo, actor_id: "tenant-a:user-123"). O Gateway centralizado roteia chamadas de ferramentas para recursos backend compartilhados, aplicando isolamento via credenciais e configurações com escopo por tenant.

    O modelo Pool é altamente eficiente e pode ser a única opção viável quando há um grande número de tenants pequenos. O trade-off é a necessidade de maior rigor nos testes de controle de acesso granular e mais instrumentação para atribuição de custos por tenant.

    Padrão Bridge

    O modelo Bridge representa um meio-termo estratégico, combinando a eficiência de custo da infraestrutura compartilhada com os benefícios de segurança de recursos isolados. A ideia é poder escolher o nível de isolamento em cada camada e componente individualmente, em vez de estar preso a um padrão único. Por exemplo, é possível ter um AgentCore Runtime e Gateway siloed para tenants premium e um Runtime e Gateway pooled para tenants do tier padrão. Outra variação possível é um Runtime siloed com Gateway e ferramentas pooled.

    Próximos passos

    Este artigo cobre os conceitos fundamentais para construção de agentes multi-tenant. A AWS indicou que publicará posts subsequentes com implementações end-to-end dos modelos Pool e Silo, incorporando os componentes detalhados nas considerações de design. Para quem quiser colocar a mão na massa desde já, a AWS disponibilizou um workshop de agentes multi-tenant com experiência prática usando o Amazon Bedrock AgentCore.

    Fonte

    Building multi-tenant agents with Amazon Bedrock AgentCore (https://aws.amazon.com/blogs/machine-learning/building-multi-tenant-agents-with-amazon-bedrock-agentcore/)